A Cabeça de Steve Jobs
Biografias de personalidades controversas, como Steve Jobs, existem aos montes, a grande maioria delas centrada em um ponto básico: fofocas de bastidores, contadas por outras pessoas que não o biografado, várias delas anônimas, para evitarem confrontos. Em parte, o livro A Cabeça de Steve Jobs, publicado no Brasil pela Editora Agir, foge desse padrão, já que procura ficar longe daquelas conversas paralelas e prefere focar o lado mais empresarial do CEO da Apple. Claro que há muitos depoimentos de pessoas que convivem ou conviveram com ele, mas na maior parte do tempo, quem fala é o próprio Jobs.
O livro foi escrito por um especialista em tecnologia e em Apple, Leander Kahney, editor do Wired.com e autor de outros livros relacionados ao tema, Cult of Mac e Cult of iPod, que foram distribuídos de graça na internet (em inglês) pouco antes do lançamento de A Cabeça de Steve Jobs. Aliás, este é o pequeno pecado desse livro: lançado nos Estados Unidos em 2007, ele chega agora traduzido sem diversas informações atualizadas, que acabam por derrubar algumas poucas afirmações, principalmente quando o assunto é o iPhone. É chato ter de ler que o celular da Apple “talvez não dê certo”.
O mais interessante de A Cabeça de Steve Jobs é seu tom didático, quase de auto-ajuda. Não por isso, o subtítulo da obra é “As lições do líder da empresa mais revolucionária do mundo”. O objetivo é demonstrar, a partir da experiência e da personalidade de Jobs, que atributos são importantes para vencer no mundo dos negócios globalizados. Pode parecer indicado apenas para empreendedores ou executivos em começo de carreira, mas também é uma boa leitura para quem deseja entender como a Apple saiu da rota da falência iminente para ser o que é hoje. Outro ponto a ser destacado é que, por não ser uma biografia comum, a apresentação não é uma linha do tempo tradicional, começo meio e fim, mas um vaivém, mostrando o que deu certo e o que fracassou na Apple e como Jobs conseguiu corrigir o rumo da empresa.
O jeitão “auto-ajuda” está bem presente no final de cada capítulo do livro, em que podemos encontrar um resumo dos tópicos mais importantes tratados. Batizados de “Lições de Steve”, eles mostram o que de mais importante aprendemos com os defeitos e qualidades do CEO da Apple, como “manter o foco”, “saiba dizer não”, “troque idéias”, entre outros.
A Cabeça de Steve Jobs, por Leander Kahney
- PrósLeitura leve e divertida, boa tradução, biografia sem aquele ranço de contar fofocas e podres sobre Steve Jobs.
- ContrasO autor foi muito bonzinho com Jobs, sem falar tanto sobre seus arroubos de fúria.
- PreçoR$ 30
- Webwww.fnac.com.br
Outro ponto bastante positivo desse livro é a sua tradução, feita por Maria Helena Lyra. Depois de ler alguns absurdos em A Segunda Vinda de Steve Jobs, da Editora Globo (The Second Coming of Steve Jobs), é gratificante ver um texto bem cuidado e traduzido. Há algumas piadas para nerds que acabaram não sendo explicadas para o público leigo, como a dos fãs do Newton que, revoltados com a decisão da Apple de acabar com o projeto, carregavam cartazes com os dizeres “Newton é meu Piloto” (em inglês, Newton is My Pilot, sendo que Pilot era o nome do primeiro Palm). Mas dá para perdoar.
Sérgio Miranda já leu vários livros sobre a Apple e Steve Jobs e nunca viu um tão interessante e comedido sobre o CEO da empresa.


