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A marketização dos nomes dos produtos Apple

:: por Redação macmais :: 27/06/2012 :: Deixe um comentário

Marketização dos nomes, por Mario Amaya (@marioamaya)

Mac G3 Apple computador

Nos seus 36 anos de existência, a Apple sempre soube como imbuir as coisas mais triviais uma aura de magia e exclusividade. No popular, vender as mesmas coisas que os outros com uma abordagem diferente. Na condição histórica de uma das originadoras da computação pessoal, ela nunca permitiu que suas criações fossem tomadas como uma repetição do que os outros fazem. Um pouco desse espírito rebelde com pretensões de liderança é visível na sua nomenclatura e “renomenclatura” de produtos. Os exemplos são muitos, vamos nos deter apenas nos mais abrangentes.

Frutas

Se as primeiras máquinas da empresa já eram chamadas de maçã e ninguém parecia achar isso estranho, Steve Jobs manteve para seu projeto pessoal mais importante o codinome Macintosh, que é uma grafia alternativa para McIntosh – uma variedade de maçã da Nova Inglaterra, de tom vermelho, pequenas e redondinhas. O inventor original do codinome não foi Jobs, mas sim Jef Raskin, outro admirador de maçãs. Quando Jobs assumiu o projeto, achou adequado manter o simpático nome no produto comercial. Ainda bem, porque oficialmente a Apple chamava o Mac e o Lisa em conjunto como “Família32 SuperMicro”. Você teria o mesmo entusiasmo de usar um Mac se tivesse um computador idêntico, só que chamado SuperMicro? Não ia mesmo.

Eixo Multimídia

Com a volta de Steve Jobs em 1997, tudo mudou na Apple. O iMac, que deflagrou uma revolução no mercado doméstico de PCs, era basicamente uma coleção de tecnologias tradicionais com uma embalagem genial, o gabinete monobloco translúcido. O software era o mesmo de antes. As maiores inovações estavam na placa-mãe, derivada de um projeto conjunto com a IBM para tornar os Macs mais similares aos PCs no hardware a fim de cortar custos. Com o iMac, a Apple aboliu as portas seriais e introduziu o USB, uma tecnologia ironicamente criada pela Intel, que ainda não tinha começado a engrenar no PC. É interessante observar em retrospecto como a Apple, sendo um fabricante minoritário naquele contexto, conseguiu liderar a migração em massa para o USB.

Logo depois, com o iMovie e o iPod, Steve Jobs começou a apresentar os Macs como um “digital hub”, isto é, um centro de entretenimento doméstico para o “estilo de vida digital”. “Hub” significa eixo e, nesta concepção, o computador pessoal seria necessariamente o centro de tudo. Tempos depois, a indústria de PC começou a referir-se ao mesmo conceito como “media center”, um termo que hoje é redundante mas ainda não expirou por completo.

Processadores soltos

Quando Steve Jobs retornou a Apple, havia uma confusão de modelos de computadores, todos com nomes técnicos e chatos – Power Macintosh 9600/180MP, por exemplo. Como adicionar empolgação a nomes tão ruins? A linhagem seguinte foi chamada de G3, isto é, terceira geração. Seu processador era conhecido na fábrica como PPC750. O gabinete da segunda versão do computador tinha uma sigla “G3″ enorme, visível por baixo do plástico diáfano – um truque de design impossível de imaginar num produto atual. Apenas dois anos depois surgiu o G4, com o processador da série PPC7400 e já sem o logo gigante, confiando mais no formato do gabinete do que em nomes para apresentar-se. O G5, de 2003, usava o processador PPC970; e a atual linha Mac Pro, iniciada em 2006, emprega vários tipos de processadores Intel Xeon. Foi nesse período que desapareceram dos produtos da Apple as palavras “Macintosh” (substituída por “Mac”) e “Power” (substituída por “Pro”).

Uma curiosidade sobre o G4 é que seu processador incluía um recurso denominado por três nomes diferentes, conforme a companhia envolvida: AltiVec para a Motorola (atual Freescale), VMX para a IBM e Velocity Engine para a Apple.

Rebatizando as ondas de rádio

Em 1999, a Apple percebeu que as conexões sem fio eram um futuro inevitável – e decidiu que deveria apossar-se da primazia sobre essa inovação. Desde 1985 vinha sendo refinada a norma técnica IEEE 802.11 para transmissão de dados sem fio, e em agosto de 1999 os produtos compatíveis passaram a receber o logotipo “Wi-Fi”. Menos de um mês antes (21 de julho), a Apple apresentara a mesma tecnologia (variante 802.11b) com um nome próprio e exclusivo: AirPort. No princípio não era evidente para o consumidor que Wi-Fi e AirPort eram a mesma coisa.

Quando saiu o AirPort Extreme (802.11g) em 2003, as coisas ficaram mais claras, pois o mundo PC já tinha também abraçado as redes wireless. Se dependesse do marketing da Apple, o milagre da internet sem fio seria mais uma de suas conquistas, quando na realidade advinha de um esforço colaborativo envolvendo muitas empresas e organizações. O cartão Wi-Fi original embutido nos Macs era um PC Card da Lucent.

Ainda dentro da linha AirPort, a Apple lançou em 2008 o Time Capsule, uma implementação simplificada do que no mundo PC é conhecido como NAS (Network Attached Storage, na sigla em inglês); mas neste caso, a Apple de fato chegou antes do mundo PC, que então não via o NAS como uma aplicação doméstica.

Matéria publicada na seção Museu, da macmais 72.

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