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Bate papo com o ex-designer da Apple Everaldo Coelho

:: por Redação macmais :: 24/09/2012 :: 1 comentário

por Sérgio Miranda (@saam).

Na longínqua macmais 13, entrevistamos o designer Everaldo Coelho. Na época, ele era conhecido por ter criado uma série de ícones e interfaces de aplicativos e também por ter recusado o convite para trabalhar na Apple. Em 2010, ele acabou aceitando e foi para Cupertino, onde fez parte da equipe que desenvolveu o que hoje conhecemos por iCloud. Claro que durante esse tempo todo ele não podia conversar com a imprensa. Em agosto, Everaldo deixou a Apple para voltar ao Brasil e começar uma nova fase na carreira, como Chefe de Design da Movile, uma empresa da área de telefonia com presença na América Latina.

Apesar de não poder contar tudo que viveu durante esse tempo na Apple, Everaldo concordou em conversar novamente conosco em uma entrevista exclusiva. Leia a seguir os melhores momentos da conversa.

O último trabalho de Richie, o álbum 60, apenas com regravações de antigos sucessos da década de 1960, serviu para comemorar os 60 anos de vida do cantor, que pela primeira

Everaldo Coelho trabalhava perto do campus principal da Apple, em 1 Infinity Loop. Esta foto foi tirada pouco depois da morte de Steve Jobs, em outubro do no passado

macmais: A primeira pergunta que imagino muita gente queira fazer é…”
Everaldo Coelho Quanto eu ganhava na Apple? (risos)

m+ Além disso. Em quais projetos você trabalhou na Apple que tiveram a participação mais efetiva do Steve Jobs?
EC Na verdade, eu não posso falar nada sobre isso. (risos)

m+ Que bela maneira de se começar uma entrevista… (risos)
EC Sim, eu trabalhei em alguns projetos em que o Steve (ninguém chama ele de Jobs dentro da Apple) esteve envolvido, mas não posso dar detalhes sobre eles. O que eu posso dizer é que, enquanto ele esteve vivo, todos os projetos em que trabalhei ele esteve envolvido.

m+ Nada sobre quais eram e se já foram anunciados publicamente…
EC O que eu poderia dizer, sem revelar muitos detalhes extras, são dois projetos que já foram lançados, o iCloud e o Find My Friends.

m+ Como foi seu relacionamento com Steve Jobs? Quando ele pedia mudanças, era algo tranquilo, tudo feito por email ou pessoalmente?
EC Uma recomendação que alguns colegas me passaram foi a de não falar como são os processos internos da Apple. Infelizmente, não posso dizer muito mais. Mas sem ir muito fundo, a gente usava todos os meios modernos de interação, isto é, email sempre, mensagens instantâneas e reuniões em pessoa.

m+ A gente percebe que a Apple gosta de reuniões. A movimentação é grande de gente andando de um prédio para outro o tempo o todo. Eles realmente trabalham conversando bastante?
EC Existe muita interação entre as pessoas envolvidas em cada um dos projetos. A Apple não gosta de trabalhar remotamente, a grande maioria das decisões de fato é tomada na Califórnia. Mas eventualmente são feitas reuniões à distância, com quem está em outros países.

m+ O que você pode dizer desses quase dois anos de Apple, o que mudou no seu trabalho, como você cresceu na sua maneira de ser designer?
EC Essa é uma boa pergunta. Acho que você cresce em todos os sentidos. A Apple tem uma cultura própria, e uma vez que você vive imerso nela, eu acho que isso fica em você para sempre. Eu acredito que nunca mais vou desenhar como fazia antes. Eu já tinha um pouco dessa cultura Apple no meu trabalho, deve ser por isso que ela quis me contratar antes.

m+ O que mudou no seu design? Ele está mais detalhista, mais simples?
EC O nível de detalhamento não mudou, o meu design sempre foi apegado aos detalhes. O que eu acho que mudou mais sensivelmente foi que… é ambíguo… é ao mesmo tempo acreditar e desacreditar mais no meu design. Eu costumava fazer menos iterações dos meus desenhos, eu fazia três ou quatro versões de alguma coisa e tendia a acreditar que aquela versão estava boa, e de fato, na verdade, eram boas escolhas. Eu fiz diversos projetos de softwares que muita gente no mundo usa e que foram feitos dessa maneira. Mas na Apple a gente faz centenas de iterações do mesmo projeto. Cada um dos softwares que as pessoas usam no mundo todo foi feito e refeito dezenas ou até centenas de vezes até chegar à versão final.

m+ Em nossa entrevista anterior, você contou que tinha sido chamado algumas vezes para trabalhar na Apple, mas não aceitou. O que mudou para que você decidisse ir para Cupertino?
EC Eu fui convidado três vezes antes, aceitei apenas na quarta investida deles. O que mudou foi que eu gerenciava o Yellowicon e fui para a Inglaterra estudar inglês. Depois de alguns meses lá eu percebi que não estava aprendendo nada. Eu ficava apenas algumas horas por dia na escola e, quando voltava para casa, eu continuava a trabalhar no Yellowicon e a falar português. E eu queria mesmo aprender a falar inglês. Então, coloquei nas minhas redes sociais que eu estava procurando um emprego em qualquer país de língua inglesa. Nem fazia questão que fosse na área de design. Por coincidência, na época, algumas pessoas que trabalhavam na Apple ficaram sabendo e me recomendaram. E eles me contrataram. Era um desejo, na verdade, uma necessidade de aprender inglês somada ao privilégio de poder trabalhar na Apple. O cenário coincidiu para que acontecesse. Não me arrependo de jeito nenhum.

Gravando seu novo álbum, Ritchie pode experimentar o mundo analógico, com instrumentos reais, e aplicando o máximo do que a tecnologia de gravação (normalmente usando Macs) permite

Entre alguns dos projetos com a participação ativa do Everaldo que podemos citar está o iCloud (e o fechamento do MobileMe, antes dele) e alguns aplicativos como o Lembretes e o Notes, na versão online e para o OS X

m+ Como foi essa conversa?
EC Eu fui entrevistado por várias equipes diferentes, eles me aceitaram e eu pude escolher onde eu queria ficar. Eu conversei com o pessoal do iPhone, que era assim que eles se chamavam na época, agora têm outro nome, pelo time dos Pro Apps, que também mudou de nome, e também pela turma do MobileMe, que me falaram, à época, que estavam começando algo que seria fundamental para o futuro empresa. Eu fiquei curioso, e como tinha sido aprovado por todos eles, acabei escolhendo trabalhar no que hoje se chama de iCloud. Eu fui lá para matar o MobileMe. E matei mesmo. Aquele sinal de fechado fui eu que desenhei… (risos).

m+ Muita gente tem curiosidade: como fazer para conseguir trabalhar na Apple? O que você diria para essas pessoas? Mandar curriculum? 
EC Não existe um padrão ou uma maneira como a Apple contrata. Você pode mandar seu curriculum e eles vão avaliar, mas me parece ser a maneira menos comum. Eu conheci pouca gente que foi contratada dessa maneira. O que normalmente acontece é você criar as coisas e se tornar relevante. A Apple não sabe que você existe e só vai saber se você mostrar para ela. Na equipe de designers, as histórias eram muito parecidas com a minha. Eu criei um site e fui divulgando meus trabalhos. É bom lembrar que eu sou um dos mais velhos nesse ramo de criação de interface. Eu divulguei o meu nome e a Apple me conheceu por aí. Eu nunca contactei a Apple, foram eles que me chamaram. Mas acontece o oposto também. Claro que estou falando na área de design, na engenharia a coisa tende a ser mais tradicional. Mas eu não trabalhava no recrutamento, não saberia dizer com certeza. A Apple está sempre atenta, sempre pesquisando sites, como o Dribble, Behance e similares. Eu não privilegiaria apenas um local, o bom é estar presente em diversos lugares.

m+ A Apple também tem um local onde estão expostas vagas de trabalho…
EC O processo de contratação é muito lento na Apple, em média, um ano para designers, mas o que acontece é que as vezes eles procuram por alguém, não encontram e aí eles anunciam no site.

m+ Você passou quase dois anos em Cupertino, além de ter trabalhado como freelancer antes. Mudou a sua maneira de ver a Apple?
EC Como externo, o briefing é enigmático. Eles pedem uma pasta azul com 32 × 32 pixels. Você não faz menor ideia de como ela será usada e onde. Dentro da Apple, você tem um pouco mais de contexto, desde que você, é claro, precise desse contexto (risos). A maneira como eles mantém o sigilo dentro da empresa é fantástica. Eu só sei o que eu preciso saber sobre aquele projeto. E muito provavelmente a pessoa que senta do meu lado não faz a menor ideia do que eu estou fazendo. Assim como eu também não sei o que ela está fazendo. A gente assina contratos de sigilo o tempo todo. Eu trabalhei em projetos dos quais eu não tinha a menor noção do tamanho.

m+E a sua concepção do que a Apple significa, também mudou? Você, como usuário, tem uma outra visão da importância da empresa em nossas vidas?
EC Sim, e o que mudou é que a Apple ficou muito maior para mim. Eu sou fã, desde o momento em que eu vi um produto deles, mas trabalhando lá você vê o quanto ela é maior do que isso, o quanto ela contribui para o mundo. Agora que estou me preparando para um novo trabalho, na Movile, estou estudando outras plataformas. Acredito que o Windows 8 está fazendo um trabalho muito mais relevante para a comunidade do que o Android fez, mas nenhum dos dois ou os outros, como Meego e WebOS, nenhuma das plataformas móveis modernas existiriam se não houvesse a Apple. Ela direciona a tecnologia hoje, tudo o que é criado lá é torna-se relevante. E o que eu mais admiro na Apple é essa postura cada vez mais humanista, tendo o usuário como a medida para todas as coisas. E batalhar por isso. A gente lutava pelo usuário todos os dias.

Se em 2007, quando Everaldo deu sua primeira entrevista para a macmais, ele era conhecido mais pelos seus ícones, com o passar do tempo ele passou a investir cada vez mais na criação de interfaces

Se em 2007, quando Everaldo deu sua primeira entrevista para a macmais, ele era conhecido mais pelos seus ícones, com o passar do tempo ele passou a investir cada vez mais na criação de interfaces

m+ Você coloca sempre nas redes sociais, eu diria até que é um mantra seu, da importância da humanização da tecnologia. Você desenha para o usuário, para um ser humano. Isso você já trazia com você e foi refinando na Apple ou foi algo incorporado lá?
EC Eu estudei psicanálise por interesse próprio. Eu fui um adolescente muito complexado e resolvi estudar psicologia. Então sempre gostei muito dessa área. Isso me ajudou a me tornar muito mais humano, eu passei a prestar atenção nas Humanidades, nas características do ser humano. E isso está muito ligado à minha arte. Eu comecei a desenhar e me perguntar como isso afetava as pessoas. Na Apple isso foi extremamente potencializado. A empresa é totalmente focada em oferecer o melhor serviço e a melhor interação para o usuário.

m+ Na nossa primeira conversa, conversamos como era o seu método de trabalho, das etapas da criação. Isso mudou depois da Apple?
EC Sim, até porque minha vida mudou bastante. Quando conversamos pela primeira vez, eu estava no Yellowicon e ele era naquele tempo 100% focado em iconografia. Então, toda a minha pesquisa era voltada para a semiótica, para entender a percepção humana dos gráficos, símbolos e ícones. Naquele tempo, o processo era diferente. Na Apple, eu também fiz muitos ícones, mas essa era a menor parte do meu trabalho. O processo na Apple era muito diferente, eu era mais focado em design de interface do que na iconografia apenas. O jeito de trabalhar variava de acordo com o produto com que eu estivesse envolvido. Mas eu não posso falar sobre esses processos, como eu já disse.

m+ E nesses cinco anos entre as nossas conversas, como a tecnologia atual alterou seu jeito de trabalhar? O iPad, por exemplo, influenciou alguma coisa nessas mudanças?
EC Tudo mudou, o mundo agora é mobile. As pessoas interagem de maneira completamente diferente com o computador de mesa e com os dispositivos em modo geral. As pessoas também mudaram nesse período. Naquela época, para muita gente, a internet ainda era uma novidade. Muitas coisas que antigamente precisavam ser descobertas, hoje são quase uma segunda natureza, elas simplesmente sabem o que fazer. E outras coisas que eram importantes naquela época, hoje perderam a relevância.

m+ A metáfora da Mesa ou área de trabalho ainda deve continuar no computador por enquanto, pelo menos, até onde sabemos…
EC É… (risos). A Mesa, essa é a minha opinião, não a da Apple, ainda vai existir por algum tempo e talvez ganhe novos formatos, ainda teremos um computador potente para o trabalho e outro menor, mais leve e mais eficiente em termos de energia para o pessoal. Hoje em dia, você pode ter um Mac para o trabalho e um iPad para todo o resto.

Na época do Yeloowicon, Everaldo criou diversos ícones famosos, alguns deles para a empresa que anos depois o acabaria contratando, a Apple (aplicativo Remote Desktop, acima)

Na época do Yeloowicon, Everaldo criou diversos ícones famosos, alguns deles para a empresa que anos depois o acabaria contratando, a Apple (aplicativo Remote Desktop, acima)

m+ Você ainda desenha no papel?
EC Sim, ainda, mas nem sempre. Hoje em dia, para criar, eu uso o papel, mas é basicamente um rascunho inicial. A tecnologia mudou e as ferramentas no computador ficaram mais humanizadas, existem menos intermediários entre você e a arte que está desenhando, assim como no papel. Você pode tocar com os dedos em um iPad e criar alguma coisa ou então usar uma mesa digitalizadora Wacom com uma caneta sensível à pressão.

m+ Não sei dizer se isso começou depois ou antes de trabalhar na Apple, mas você demonstrou recentemente um grande interesse por fotografia. Hoje você já se considera um fotógrafo ou acha que ainda falta algo?
EC Eu sou um pouco, diria, ousado… não, ambicioso é a palavra. Eu quero ser um dos melhores fotógrafos do mundo. Eu queria ser um dos melhores designers do mundo quando eu comecei nessa profissão. Eu não penso que preciso ser “o melhor”, até por que isso não existe, mas eu queria e consegui trabalhar entre os melhores do mundo (risos). Agora, eu quero ser/estar entre os melhores fotógrafos do mundo. Então, acho que ainda falta muita coisa para chegar lá, mas eu já me considero, pelo menos, um fotógrafo. A fotografia sempre foi algo que me interessou, mas eu nunca dediquei muito tempo. Na Apple eu decidi me dedicar mais porque trabalhando lá não podia mostrar o meu trabalho para ninguém. Isso para um designer é extremamente frustrante, porque a gente desenha para mostrar para os outros! (risos).

m+ De alguma forma, eles acabam vendo o resultado final…
EC Mas não as outras dezenas ou centenas de iterações que eu fiz! (risos). Então, eu não podia mostrar o que eu fazia, e a fotografia foi a minha fuga. Eu podia fotografar e, no mesmo dia, postar no Flickr e 500px e todo mundo podia ver. Acabei montando um pequeno grupo de fotógrafos na Apple. Algumas das minhas fotos hoje são partes de produtos da Apple. Não posso dizer quais (risos). Além disso, como eu estava longe da minha família, a fotografia era uma maneira de trazê-los pra perto de mim, para o que eu estava vivendo e os lugares aonde eu ia ajudavam a mostrar onde eu estava, compartilhar com eles.

m+ Essa foi a parte mais difícil do trabalho, ficar longe da família?
EC Essa foi a parte mais difícil. Minha filha tem oito anos e ficar longe dela foi muito complicado. Eu ligava para ela todos os dias, mas não é a mesma coisa.

m+ Isso chegou a afetar sua vida profissional lá?
EC Eu não acredito muito nessa coisa de se ter duas vidas, uma pessoal e outra profissional, é tudo a mesma coisa. É preciso saber lidar com todos os aspectos da sua vida e fazer com que ela funcione. Afetou, sim, sem dúvida, mas não prejudicou em nada.

m+ Em 2007, você não gostava de categorizar seus trabalhos como melhores ou piores. Isso mudou?
EC Não, continuo pensando do mesmo jeito. Mas gostaria de acrescentar, sem medo de errar e, depois dessa experiência na Apple, que o meu melhor projeto é sempre o meu último projeto, aquele em que estou trabalhando e que não posso comentar com vocês de maneira alguma! (risos).

m+ Você está voltando para trabalhar na Movile. Como prevê que será esse novo momento na sua carreira?
EC Bem, a Movile é diferente da Apple no que diz respeito aos segredos, isso eu posso dizer (risos). Eu conversei com muitas empresas, como Dropbox, Spotfy, Google, agências, o Square, Lenovo, com algumas companhias brasileiras e de todas as empresas com que conversei, percebi que a Movile tem uma coragem e uma determinação de implementar aqui no Brasil e na América Latina o mesmo modelo de criação e desenvolvimento com qualidade que a Apple tem lá nos Estados Unidos. A Movile tem as idéias e os ideais certos. Eu achei isso fantástico.

m+ E qual será a sua contribuição para a Movile?
EC Acho que a cultura Apple que eu vivi, essa pegada mais humanista, que não é só uma coisa que falta aqui no Brasil, mas no mundo todo. As empresas estão percebendo a importância do humanismo. E é claro, trazer um design de interfaces de qualidade assim como os dos produtos da Apple e outras empresas onde e para quem trabalhei como freelancer.

m+ E o Yellowicon?
EC Continua firme e forte!

A fotografia foi o jeito de Everaldo continuar mostrando seu trabalho.Algumas delas, inclusive, aparecem em produtos Apple

A fotografia foi o jeito de Everaldo continuar mostrando seu trabalho.Algumas delas, inclusive, aparecem em produtos Apple

m+ Mas sem o Everaldo.
EC Eu diria que com o Everaldo dando um suporte. Eu trabalho na Movile, mas vou continuar sendo um consultor da Yellow (que é como eu chamo informalmente a empresa). Ainda tenho uma participação acionária, mas quem toca o dia a dia é o Rhandros Dembiki e o Marcel Müller, que são os designers-chefe da Yellow, e a equipe.

m+ Há um ano, em agosto, Steve Jobs deixou a empresa e pouco depois veio a falecer. A Apple ficou diferente quando ele saiu?
EC Não, só a saudade. A empresa continuou a mesma que eu conheci. Para os mais antigos talvez tenha havido alguma mudança, mas no meu caso eu não vi nada de diferente.

m+ Os processos, aqueles de que você não pode falar, continuaram iguais?
EC As pessoas, acho, tem uma visão equivocada de como as coisas aconteciam na Apple. O Steve se metia em tudo, mas as pessoas maravilhosas que ajudaram a criar todos os produtos fantásticos que a empresa tem ainda continuam lá. Ficou a saudade de um grande líder.

m+ Você se sente diferente por ter trabalhado com ele?
EC Claro. Eu guardei os últimos emails que ele mandou para nós. É uma coisa que me emociona ainda. Ele era um cara muito humano, isso para mim é muito forte. Quando aconteceu a tragédia no Japão, o terremoto seguido de tsunami em março de 2011, ele mandou um email para todos os funcionários dizendo que quem tinha família no Japão podia parar tudo e visitar a família, custearam a passagem das pessoas. E mandaram ajuda para as vítimas. Mesmo os clientes da Apple que perderam seus dispositivos por conta da tragédia receberam novos, sem nenhum custo. Foi algo muito legal.

m+ Você tem uma boa lembrança dele?
EC Eu não tive muito contato com ele durante esses dois anos, por conta do meu inglês. No dia em que ele morreu, foi muito chocante para todos nós. Foi muito triste. A gente, na minha equipe, tinha uma piada interna. Era uma garrafa de tequila com um rótulo escrito a mão dizendo “Tequila para Emergências”. Ela estava lá há muitos anos, a pessoa que tinha comprado nem trabalhava mais lá. Naquele dia, a gente achou que era o momento de abrir a garrafa. Fizemos uma roda grande, brindamos à memória e a vida dele, e cada um contou alguma história, uma lembrança dele, experiências em reuniões, brigas, piadas, todo mundo contou uma história. Foi emocionante.

m+ Naquele momento, do dia da morte até quando aconteceu a homenagem dentro do campus da Apple, imagino que tenha sido um período difícil para todos. Mas e depois, a Apple continuou sua rotina normalmente?
EC A gente nunca parou. No dia 5 de outubro, a Apple continuou trabalhando como sempre. Todo mundo ficou sensibilizado, claro, mas o trabalho continuou. Acho que até mais intensamente. Se alguma coisa mudou depois do Steve, é que nosso compromisso com a qualidade aumentou, para honrar a memória dele. Naturalmente, a empresa, e novamente essa é apenas minha opinião pessoal, vai mudar, isso é inevitável. Mas não acho que será necessariamente algo ruim.

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1 comentário

  1. Alexandre Mello comentou 18:11 às 24 de setembro de 2012

    Eu sou muito fã do Everaldo. Tanto do desenhista como do fotógrafo. Toda sorte do mundo pra ele.

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