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Confira a evolução dos sistemas operacionais do Mac

:: por Redação macmais :: 30/05/2012 :: 3 comentários

*Por Mario Amaya (@marioamaya)

Em nosso artigo anterior, demos um panorama da evolução do sistema operacional da Apple para o Macintosh. Chamado oficialmente de System, ele não tinha uma estrutura convencional: era uma “colcha de retalhos” feita de trechos de código e programas autônomos que cuidavam cada qual de seu próprio espaço na memória do computador. Nada similar ao que temos hoje.

A quase não-arquitetura do System servia bem a um computador gráfico de primeira geração, criado com uma quantidade de memória irrisória e um processador ainda prematuro para a função, num ambiente primariamente mono tarefa e no qual não havia ainda preocupação em suportar múltiplos usuários, tocar áudio e vídeo, acessar redes, oferecer segurança de dados contra ataques externos etc.

Mac OS X Server 1.0 Lançada em março de 1999, esta primeira versão funcional do sistema era baseada no Rhapsody, que combinava a arquitetura e as ferramentas de programação do OpenSTEP com partes do Mac OS 8.5.1. A chamada Blue Box (posteriormente rebatizada como Classic) era uma “camada” do sistema que permitia rodar os programas clássicos do Mac.

Mac OS X Server 1.0 Lançada em março de 1999, esta primeira versão funcional do sistema era baseada no Rhapsody, que combinava a arquitetura e as ferramentas de programação do OpenSTEP com partes do Mac OS 8.5.1. A chamada Blue Box (posteriormente rebatizada como Classic) era uma “camada” do sistema que permitia rodar os programas clássicos do Mac.

Um sistema operacional é, em essência, uma base que permite que os programas e o computador entendam-se e trabalhem em conjunto. Naturalmente a evolução dos computadores pessoais, tanto Macs quanto PCs, trouxe à tona a necessidade de uma base muito mais robusta para prover funções novas sem quebrar a compatibilidade com os aplicativos anteriormente existentes. Tanto o System do Mac quanto o Windows dos PCs passaram por algumas transições bruscas, mas o Mac começou a partir de um ponto bem mais avançado que o Windows e o PC; além disso, teve uma evolução bem mais gradual. Essas foram duas razões importantes por trás da lendária durabilidade dos Macs, muitos dos quais passaram mais de uma década em uso normal antes de serem decretados obsoletos e aposentados.

Se no finalzinho dos anos 1980 a Apple já sabia que o sistema do Mac era um entrave ao seu próprio desenvolvimento, em meados dos anos 1990 a situação ficara crítica e os usuários só não notavam isso de forma muito clara porque o ambiente operacional e os aplicativos eram muito bonitos e bem trabalhados na usabilidade. Mas algo precisava ser feito, e depressa. A Apple apostou suas fichas publicamente no projeto Copland, apenas para sofrer o vexame também público de cancelá-lo por ser bugado demais e sofrer rejeição dos desenvolvedores externos. Uma gambiarra bem-sucedida para ganhar tempo veio na forma do Mac OS 8.0, de julho de 1997. A equipe então recém-trazida da NeXT por Steve Jobs iniciou a adaptação da sua tecnologia, baseada no todo-poderoso sistema UNIX, para criar o sistema definitivo para os Macs: o Mac OS X, hoje conhecido apenas como OS X.

Mac OS X Public Beta Com validade limitada — setembro de 2000 a março de 2001 —, a primeira versão com a aparência “Aqua” era destinada aos desenvolvedores e trazia encarnações ainda muito incompletas dos utilitários padrão. Para provar sua estabilidade, Steve Jobs demonstrou na Macworld de 2000 um programa chamado “Bomb.app” que travava sem afetar o sistema.

Quando a Apple absorveu a NeXT, o sistema criado por esta não existia mais como produto isolado, nem tampouco existiam os famosos cubos que o rodavam. Existiam o OpenSTEP e o WebObjects, respectivamente um ambiente de programação multiplataforma e uma coleção de ferramentas de software para a criação de sites dinâmicos. Em tese, eles poderiam rodar em qualquer tipo de computador. Os programadores de Jobs, chefiados por Avie Tevanian, “portaram” (traduziram) o sistema para rodar nos processadores PowerPC dos Macs, com o codinome “Rhapsody”. Inicialmente (no Mac OS X Server, a primeira versão lançada do novo sistema) foi criada uma interface visual que misturava aspectos do Mac OS clássico e do OpenSTEP. Na versão final para o consumidor optou-se por criar uma interface completamente nova, que reteve muitas características do Mac OS clássico, mas apresentava o visual “Aqua” – alegre, animado, colorido e texturizado –, que lembrava muito a aparência dos Macs daquela época.

Numa atitude inédita para a Apple e também para um empreendimento comandado por Steve Jobs, em setembro de 2000 uma versão beta pública do sistema foi distribuída para todo mundo testar e opinar. Lindo, porém ainda impraticável, foi o veredito da maioria. Faltavam programas e não era razoável trabalhar no dia-a-dia usando os programas criados para o Mac OS clássico dentro do ambiente de compatibilidade, pois com isso deixava-se de usufruir dos novos recursos. Além disso, o Mac OS X abusava do processador, da memória e da placa gráfica. Era pesado demais para os Macs da época, a maioria com processadores G3 e muitos deles sem os 128 MB de memória mínima requerida.

A maioria dos problemas de desempenho foi resolvida já nas versões 10.0 e 10.1, sendo esta considerada a primeira apropriada para uso normal. Ouvindo as queixas dos usuários, a Apple foi capaz de deixar o sistema excelente em pouco tempo. Ele demorou para se materializar como produto, mas os bons resultados vieram depressa. Em 2002, a Apple já congelara o desenvolvimento do Mac OS clássico – decisão comunicada por Jobs em pessoa com um enterro simbólico do velho sistema –, e em 2006 os Macs deixaram de suportar os programas antigos completamente.

O OS X, por ser baseado no Unix BSD, mas estar implementado sobre o microkernel Mach, é diferente – embora não no todo – das muitas encarnações do Linux, que possuem um kernel maleável. Já a diferença para o Mac OS clássico é radical. Em retrospecto sabemos que ele sempre foi nomeado de maneira a não sair do número 10 (X), sendo suas versões principais denotadas por um decimal, que atualmente está em 7 (Lion).

O OS X manteve a tradição de ter um grande lançamento periódico com muitos aperfeiçoamentos juntos, mas o tempo de cada ciclo de desenvolvimento foi se alongando até atingir quase dois anos. O ciclo acelerou-se para o próximo OS X, Mountain Lion, dando a impressão de que a Apple sentiu que seu objetivo com o Lion não foi atingido. Muita gente está bem confortável com versões anteriores do OS X e não viu um bom motivo no Lion para fazer o upgrade (apesar das vendas gigantescas do 10.7 na Mac App Store).

É de se esperar uma convergência cada vez maior do OS X com o iOS, com o qual mantém parentesco próximo – e, quem sabe, pode ser que daqui dois ciclos, os dois acabem se tornando uma só criatura, inteligente e mutante, capaz de tomar uma forma ligeiramente diferente a cada novo dispositivo, conforme ele seja acionado por toque ou por um clique do mouse.

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*Matéria publicada originalmente na macmais 71.

3 comentários

  1. Patricia Alves comentou 23:27 às 17 de abril de 2014

    Olá estou criando um trabalho para a Faculdade de Tecn em Informática e sobre a evolução do Mas oc gostaria de fazer uma pesquisa mais aprofundada nessa area de evolução teriam como me ajudar!
    Obrigado

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