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Conheça as várias encarnações do mouse que a Apple reinventou

:: por Redação macmais :: 16/09/2011 :: 1 comentário

Várias encarnações do mouse que a Apple reinventou.

Macintosh Mouse (1984–1986) – ADB Mouse (1986–1993) – ADB Mouse II (1993-1998) -USB Mouse (1998–2000)

Texto e fotos por Mario Amaya (@marioamaya)*

Existe, entre os veteranos do mundo Mac, um consenso geral de que a Apple passou os últimos 28 anos reinventando o mouse sem ter necessidade verdadeira de fazê-lo. É uma espécie de compulsão movida por uma insatisfação atávica e profunda, transcendendo a mera necessidade de apresentar novidades periódicas para o público. E o mais interessante: nenhuma das sucessivas versões do mouse chegou a ser amplamente considerado o melhor de sua categoria. Sempre alguma coisa falta ou não pega bem. Como é que os designers industriais talentosos da Apple podem lutar tão penosamente e em vão para aperfeiçoar um item tão simples?

Muitas teorias existem para explicar essa “síndrome do mouse”. Por princípio, a Apple sempre tentou ser diferente, e nada é mais exemplar disso do que um dos periféricos fundamentais do computador– que, graças ao avanço das superfícies sensíveis aos gestos da mão, pode estar caminhando a rápidos passos para uma aposentadoria honrosa, ou talvez tornar-se um obscuro acessório de nicho, à maneira das tradicionais mesas digitalizadoras.

Uma das teorias que explicam a “noia” da Apple em relação ao mouse é a de que a Apple nunca gostou de não ter sido sua inventora, tendo de aturar a presença majoritária de muitas concepções divergentes criadas dentro da indústria de PC.

O mouse foi originalmente criado pelo cientista Doug Engelbart em 1963 na Universidade Stanford. Representava uma solução genial para o aparentemente intransponível problema de se apontar para objetos numa tela gráfica – a qual, em si mesma, era um conceito extremamente futurista naquele tempo; mas bastava mexer em uma por cinco minutos para se convencer de que no futuro todos os computadores teriam de ser daquele jeito. Embora o uso do mouse seja uma forma de apontar indireta, ele é extremamente eficaz após um curto período de treino, além de ser intuitivo e autoexplicativo.

O primeiro mouse era uma caixinha de madeira equipada internamente com duas rodas posicionadas em ângulo reto: uma captando o componente horizontal do movimento, outra para o componente vertical. O mouse fazia parte de um conceito mais amplo, que desafortunadamente Engelbart demorou demais para transformar em produto; a primeira demonstração pública ocorreu apenas em 1968, e seu uso comercial amplo ainda teria de esperar mais uma década e meia. Isso lhe custou a oportunidade de usufruir os royalties que seriam pagos por inúmeras empresas pelo uso da patente. Mas o computador ainda precisaria melhorar em muitos aspectos funcionais até que o mouse fizesse sentido em seu uso normal. Apenas para aumentar a ironia, a esfera emborrachada que capta o movimento e o transmite às rodas sensoras foi criado independentemente pela companhia alemã Telefunken, antes também de seu uso prático ser difundido.

Os computadores experimentais que a Xerox desenvolveu nos anos 1970 foram a inspiração direta para a Apple criar o Lisa em 1983 e o Macintosh em 1984. O Lisa saiu com um mouse grande e desajeitado, com aparência de bibelô Art Deco. Notavelmente, ele possuía apenas um botão para clicar, ao contrário de outros mouses desenvolvidos até então, que possuíam três botões. O primeiro mouse do Macintosh novamente possuía um só botão. A lógica desse design simplificado era irrepreensível: com o mouse de um botão, o usuário não teria dúvida alguma sobre a sua forma de usar.

Além disso, os desenvolvedores de software precisariam ter um cuidado especial na criação de suas interfaces de uso. Na mesma época, havia no mundo do PC implementações bizarras como, por exemplo, um botão para iniciar uma ação e outro para terminá-la. (O mouse do computador NeXT, desenvolvido por Steve Jobs durante seu exílio da Apple, possuía dois botões, uma concessão ao estilo das workstations Unix da época.)

Comprovando que até os gênios podem errar, a Apple foi a criadora do pior mouse da história

Ao longo de mais de uma década, os fanáticos pela Apple insistiram que somente um botão era suficiente para tudo… até que o Windows introduziu uma utilidade razoável para o botão secundário: abrir um menu listando os comandos específicos ao objeto clicado. Compelida a copiar a rival, numa rara e curiosa inversão do hábito, a Apple não deu o braço a torcer: implementou o menu via Control-clique. Foi um passo importante na aproximação do Mac com o PC, já que os mouses de terceiros no Mac passaram a suportar o menu contextual no segundo botão.

Depois de anos de tranquilidade com o perfeitamente proporcionado ADB Mouse II, a Apple chocou o mundo com o modelo redondo introduzido junto ao seu grande sucesso de 1998, o iMac. Exibindo uma antiergonomia fenomenal, esse mouse alimentou uma imensa indústria de adaptadores e mouses de terceiros.

A Apple redimiu-se parcialmente com o seu mouse oval translúcido de 2000; porém, num ato de pura pirraça, transformou toda sua superfície superior no botão único. E num segundo ato de pirraça, criou o Mighty Mouse com o segundo botão oculto e uma minúscula bolinha direcional que emperrava com a sujeira natural da mão. Agora temos um mouse que você utiliza esfregando com a palma da mão. Será que Freud explica?

Conheça a rataria da esquerda para a direita, pela ordem:

Pro Mouse e o Mighty Mouse da Apple.
Pro Mouse (2000–2005) Mighty Mouse (2005–2009)

*Matéria originalmente publicada na MAC+ 64.

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