No quintal do vizinho
Existem histórias que merecem ser contadas e relembradas. Esta é uma delas.
O iPad 2 já é um marco. No momento em que escrevo este editorial, não há um número oficial de vendas, mas se especula que tenham sido comercializadas mais de 500 mil unidades nos primeiros dois dias. Chegam até mesmo a dizer que o número é muito maior do que esse, batendo na casa de 1 milhão de novos iPads espalhados pelos quatro cantos do planeta. Sim, caro leitor. Isso porque, apesar de as vendas acontecerem apenas nos Estados Unidos, o mundo inteiro viajou para a terra do Tio Sam para garantir o seu iPad 2 o mais rápido possível.
É claro que muitos brasileiros lá estiveram. Na famosa loja da Quinta Avenida, em Nova York, os meus amigos Breno Masi, diretor da FingerTips, e Rafael Fischmann, do MacMagazine, enfrentaram 14 horas na fila, em uma madrugada e dia típicos do inverno no hemisfério norte. Em Washington D.C, na loja em Reston, Eric Ladd, leitor da MAC+, também teve seu quinhão de espera para conseguir um para este que vos escreve. Não satisfeito em ter ficado horas em uma fila e ter trazido um iPad 2 preto para o Brasil em tempo recorde, voltou mais três vezes, chegando cada dia mais cedo e ficando cada vez mais para trás na fila, até conseguir o modelo branco que o exigente editor da revista queria. Por todo esse esforço, os meus sinceros e públicos agradecimentos, Eric. Você é um amigão. Muito obrigado, de coração.
Além desses desbravadores, que foram até os EUA para comprarem iPads para si (ou para os amigos que não puderam participar da festa), também uma boa quantidade de comerciantes burlaram o esquema de venda de dois iPads por pessoa e conseguiram levar para seus países de origem muitos iPad 2, de todos os tipos. A foto publicada na internet de um cidadão chinês abrindo uma mala com 40 caixas de iPad 2 (!) é assustadora.
O sucesso imediato do iPad 2 traz alguns questionamentos importantes. A concorrência, que ainda não tinha lançado nenhuma tablet à altura do primeiro iPad, vai ter de correr muito mais para tentar alcançar a Apple. Alguns fabricantes já pensam em nem mesmo lançar os protótipos anunciados e voltar à prancheta. Quando chegarem a um consenso, porém, Steve Jobs já terá apresentado outro iPad, com tela Retina e muitas outras funcionalidades com que nem mesmo sonhamos ainda.
O iPad está sozinho no mundo “Pós-PC”, como definiu Steve Jobs. Para o CEO da Apple, começamos a viver em um novo universo tecnológico, onde tablets cada vez mais potentes substituirão os computadores portáteis, em um primeiro momento, e até mesmo os nossos Macs de mesa. O novo Mac OS X está cada vez mais parecido com o iOS. A transformação será lenta, mas acontecerá. Não sei dizer quando, mas imagino que brevemente estaremos totalmente assimilados pelo mundo do toque da tela. E nossos netos perguntarão, incrédulos: “mouse? teclado de plástico? Que mundo horrível era esse, vovô?” E sorriremos, lembrando de histórias de longas filas em um dia de inverno.
Sérgio Miranda
Editor-chefe – (@macmais)

