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iMac G4 foi o Mac mais original de todos os tempos

:: por Redação macmais :: 14/03/2012 :: 3 comentários

iMac G4 foi o Mac mais original de todos os tempos

O lançamento do iMac G4 foi sincronizado com uma edição da revista Time que trazia o produto na capa e uma matéria exclusiva especial com Steve Jobs e o designer Jony Ive. Devido a um “deslize”, a versão canadense da publicação foi impressa e distribuída horas antes da apresentação de Jobs, “furando” o lançamento. Em vez de atrapalhar, porém, isso aumentou a repercussão do evento. Nenhum vazamento prévio a partir de então seria encarado pelos fãs da Apple com inocência

*Por Mario Amaya (@marioamaya)

Que Steve Jobs e Jony Ive pensavam nos produtos eletrônicos como potenciais objetos decorativos para o lar, não havia dúvida desde que eles surpreenderam o mundo em 1998 com o iMac – o modelo responsável por quebrar a longa e tediosa sequência de caixotes bege que chamávamos de computadores. O fato de a intuição de Jobs e Ive estar correta foi comprovado por seu sucesso.

Passada a euforia revolucionária, há exatos 10 anos, a Apple passava por um período de calmaria. O Mac OS X iniciara sua carreira em fogo lento; o iPod ainda não tinha virado um fenômeno de massas; o mundo online ainda vivia a ressaca pós-Napster; os blogs pessoais eram a coisa mais moderna na Web e ainda nem existiam Facebook e YouTube. Não havia revolução em curso na computação – a não ser que considerássemos, ironicamente, a estreia do Windows XP em agosto de 2001, que no mundo PC aquecera as vendas de caixotes bege para rodá-lo. A dupla dinâmica da Apple precisava inventar um fato novo, e nada melhor para isso do que lançar mais um produto chocante para mesmerizar as massas.

Diz a lenda que Jobs convidou Ive para uma caminhada – seu ambiente favorito para uma reunião – e disse a ele que tivera a visão de um computador na forma de um “girassol”, com uma tela plana sustentada por uma haste. Essa ideia já tinha sido usada pela Apple em monitores, sem chamar a atenção. O iMac G4 seria uma implementação melhor justificada, com a haste articulada e ajustável, similar à de uma luminária de tampo de mesa – a qual, por sua vez, fora a estrela de “Luxo Jr.”, o curta-metragem em CGI que botou a Pixar nos livros de história em 1986. Na biografia de Steve Jobs, tudo é interligado…

A Apple obteve a atenção desejada: mais uma vez, seu lançamento rendeu capas de revistas, artigos em jornais e chamadas nos noticiários da TV. Num simpático comercial, o computador numa vitrine de loja ganhava vida e imitava os movimentos de um transeunte.

O mercado sabia de antemão que aquela geração do iMac deveria ter a tela plana em vez do pesado, volumoso, feio e obsoleto monitor CRT. Não esperava, porém, por uma máquina tão elegante, com toda a parte eletrônica contida numa base em forma de cúpula. O arranjo evocava, além de Luxo Jr., os televisores Philco Predicta, que tinham igualmente o monitor separado e foram sensação no final dos anos 1950. O formato da CPU obrigou a Apple a repensar os componentes internos, em particular a placa-mãe – de formato circular e pintada de azul – e a ventoinha no topo, de um tipo silencioso com velocidade automaticamente variável. O silêncio na operação sempre foi uma obsessão de Jobs, desrespeitada na Apple somente por algumas workstations profissionais, como os Power Macs G4 torre e G5. A única coisa no iMac G4 que não era tão avançada quanto em seus antecessores era o drive óptico, um modelo convencional de gaveta.

O pescoço cromado funcionava também como alça para carregar a CPU na mão. Embora o iMac G4 fosse mais leve que a geração anterior, não dava segurança andar por aí dessa maneira, sendo preferível segurar a base com a outra mão.

No tema atualizações, havia sérias dificuldades. Somente o modelo topo de linha vinha com gravador de DVD, traindo a filosofia “Digital Hub” introduzida por Jobs no ano anterior. Havia dois slots de memória de tipos diferentes (PC-133 e SO-DIMM); o único acessível ao usuário era o SO-DIMM, o tipo cujas memórias custavam muito mais caro. O Mac normalmente vinha equipado com pouca memória, 256 MB, expansíveis até somente 1 GB – fator complicador para os usuários do OS X, sistema que exigia muito mais RAM para funcionar bem. Aceitava Wi-Fi (AirPort), mas a maioria dos exemplares não vinha com o cartão de rede sem fio, que precisava ser comprado à parte. Trocar o disco rígido implicava desmontar mais a máquina do que um usuário normal consideraria seguro (anos depois, alguns aventureiros aprenderam a trocar todo o interior do iMac G4 pelo de um Mac mini moderno, prolongando sua vida útil). Outra limitação presente no primeiro modelo era o monitor de 15 polegadas a 1024×768 pixels na proporção antiga 4:3, mas passaram-se apenas alguns meses até ele ser substituído por outro mais adequado, de 17 polegadas a 1440×900 pixels e proporção 16:9. O último modelo da linha tinha um monitor de 20 polegadas.

O iMac G4 era considerado veloz na época, com um processador de 800 MHz (topo de linha) e carregado com dois sistemas operacionais – Mac OS X 10.1 Puma, ainda longe de se tornar o padrão, e Mac OS 9.2 Classic. Como acessórios, os modelos mais parrudos vinham com um par de alto-falantes redondos, herdados do G4 Cube. Mouse e teclado eram brancos como o gabinete, aproximando o design do iPod e antecipando o visual do iBook branco.

Juntamente com o iMac G4 foi lançado o .Mac, serviço de internet que era uma reinvenção do iTools e anos depois daria lugar ao Mobile Me.

No Brasil, os iMacs “abajur” são raros. Não apenas porque eles permaneceram em fabricação por apenas dois anos, saindo de linha em agosto de 2004, mas também porque a época não era boa para comprar computadores “de grife” no país. O ano inteiro de 2003 foi de recessão forte e câmbio desfavorável no Brasil. Somando lucros e impostos, o preço oficial do iMac G4 atingia mais de R$ 8 mil – uma situação completamente diferente da encontrada por seu antecessor colorido. Buscando contornar o problema do custo, usuários profissionais aturaram as limitações do iMac G4 e o usaram como estação de trabalho profissional no lugar do Power Mac G5, que seria o computador correto para a aplicação. Seu único concorrente real no mundo PC era o Gateway Profile, um dos raros tudo-em-um da época. O restante dos PCs ainda vivia a era dos caixotes bege.

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*Matéria publicada originalmente na macmais 68.

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3 comentários

  1. Frytz comentou 17:09 às 14 de março de 2012

    Muito boa matéria! Sempre tive vontade comprar um g4 e um iBook.

  2. MARCELO ELETRÔNICO comentou 10:43 às 18 de agosto de 2012

    EXCELENTE MATÉRIA! COMO MAIS UM DOS MILHARES DE APAIXONADOS POR MAC EM TODO O MUNDO, EU ACHO QUE O IMAC G4 É SEM DÚVIDA UM DOS MAIS ELEGANTES E SOFSTICADOS DOS MACS QUE JÁ FORAM FEITOS! TENHO UM iBOOK G4 E NÃO ABRO MÃO DELE, MAS ANO QUE VEM, VOU COMPRAR UM imAC G4 P/ A MINHA WORKSTATION…

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