Macworld 2012: Ainda vale a pena participar?
Em 2009, Steve Jobs afirmou que a Apple não iria mais participar da Macworld, um evento anual que acontece em São Francisco e que na década passada foi o lugar escolhido para o lançamento de incontáveis produtos, como o Power Mac G3 Azul e Branco (1999), a primeira versão do Mac OS X (2000), o PowerBook G4 (2001), o nascimento do iTunes (2001), o Mac mini (2003) e, mais recentemente, o iPhone original (2007) e o MacBook Air (2008). Em sua última participação, com uma apresentação feita por Phil Schiller (Jobs também não apareceu, por motivos de saúde), foram lançados o iLife ‘09 e um MacBook Pro de 17 polegadas usando o método de construção Unibody.
Os anos se passaram, e três edições depois, os olhos dos usuários Apple mais antigos se voltam novamente para a Califórnia e se perguntam: por que ainda existe a Macworld? E aqueles que chegaram agora, depois do iPhone e do iPad se perguntam se ainda vale a pena acompanhar uma feira que não traz nenhuma novidade fantástica ou revolucionária. Nestes últimos anos, a macmais esteve presente a todas as Macworlds e vai tentar responder a esta pergunta. Mas antes, uma pequena retrospectiva dos últimos anos.
Reinventando-se
Depois do anúncio que não teria mais um estande no evento, a Macworld, que é organizada pela IDG World Expo, precisou rapidamente apagar o grande incêndio causado pela saída do seu principal expositor. E com a Apple, vários outros grandes fabricantes de acessórios e desenvolvedores foram saindo. Griffin, Belkin, FileMaker e, no ano passado, Microsoft também deixaram de aparecer no salão do Moscone Center (onde o evento acontece há 27 anos). Alguns mantém reuniões durante os dias da feira, mas não pagam mais para ter um estande para os seus usuários.
Em 2010, quando todos pensavam que a Macworld de número 25 seria a última, a IDG conseguiu juntar uma série de pessoas importantes no mundo de tecnologia (Guy Kawasaki, David Pogue, John Grubber entre outros) para palestras durante os dias do evento. As datas também mudaram, jogando a Macworld para fevereiro (tradicionalmente, a feira sempre acontecia na primeira ou segunda semana de janeiro), evitando assim um confronto direto com a CES, outro grande evento que acontece no começo do ano. A ideia era fazer com que os expositores que fossem para a CES tivessem tempo de também participar da Macworld. Acabou não dando certo. Em vez de ocupar os três pavilhões do Moscone Center (o West, o North e o South), a Macworld ficou restrita apenas ao menor deles, o Norte. Os boatos de que seria o fim começaram a se acentuar.
No ano seguinte, porém, nova demonstração de força: o evento volta a ser em janeiro (mas sem coincidir com a CES) num espaço maior, o Moscone West. O público compareceu novamente, mesmo sabendo que não haveria nenhum lançamento importante da Apple, mostrando que a comunidade Apple continuava forte. “A Macworld é uma história de 27 anos de amantes desta plataforma. Depois do bom trabalho que fizemos em 2010, tivemos um aumento de 25% no público que se registrou para o evento e um crescimento de 10% no número de expositores”, disse Paul Kent, vice-presidente da IDG e responsável pela Macworld em entrevista concedida em janeiro do ano passado. E mais uma vez a promessa que haveria uma próxima Macworld se concretizou. Mas as apresentações e palestras, que sempre foram um ponto forte, deixaram a desejar naquele ano.
E o que esperar para 2012?
A Macworld não existe mais. Pelo menos, não como a conhecíamos. Ela precisou se reinventar para sobreviver mais uma vez. A primeira grande mudança foi no nome, agora ela se chama Macworld | iWorld, numa tentativa de trazer para a festa os usuários dos dispositivos iOS, que já apareceram em bom número em 2011. A estratégia é clara: a dupla iPhone/iPad está cada vez mais forte e nada mais natural do que colocá-los em primeiro plano também.
Depois de cinco anos seguidos cobrindo a feira, esta é a primeira vez que faltando apenas poucas horas para começar o evento, que a cidade não parece se importar tanto com a Macworld. Mesmo em 2010, o primeiro ano sem a Apple e que todos temiam que aquela seria a última vez, parecia haver uma movimentação maior. No ano passado, até mesmo um teatro de entretenimento adulto voltou a oferecer descontos para quem aparecesse com uma credencial (eles tinham cancelado a promoção em 2010). Até mesmo a montagem do palco da festa parece andar em ritmo lento.

O clube de striptease oferecia descontos para o público da Macworld. Este ano, parece que não vai ter festa...
Novamente, não teremos nenhum lançamento bombástico durante a Macworld, como já tem acontecido nos últimos anos (exceto em 2010, quando alguns dias antes a Apple tinha apresentado o iPad). Essa falta de produtos novos esvazia bastante a feira, mas não tira o ânimo de quem vem aqui para ver novidades de pequenos fabricantes, estes ainda fiéis ao movimento Apple.
Mas e a CES? Não seria ela uma nova Macworld? Quase. Em tamanho, falta pouco: este ano o iLounge Pavillion, que tem fabricantes de acessórios para produtos Apple, teve 6 mil metros quadrados. A Macworld deste ano terá 9 mil metros quadrados. Se o espaço do iLounge Pavillion continuar crescendo na mesmo ritmo (30% por ano), ano que vem ela irá alcançar o mesmo espaço físico. Porém, em termos de participantes, desde 2010 o evento de Las Vegas tem alguns dos grandes fabricantes, como Griffin, Incipio, Incase, XtremeMac entre muitas outras. E se for por falta de Apple oficialmente, as duas estão iguais.
Enquanto isso, há três quadras dali, a Apple Store da esquina da Market Street e Stockton continua lotada de fãs da Apple e de gente que nunca teve um produto da marca. Foi por causa das suas lojas que a empresa decidiu deixar a Macworld. E agora a Microsoft também desistiu da CES, alegando que não é mais vantajoso participar de um evento e ser obrigado a lançar produtos em uma determinada época do ano.
Ainda é cedo claro para dizer o que vai acontecer este ano (as portas ainda não se abriram enquanto escrevo essas linhas). Com certeza teremos vários fabricantes de capinhas, fones de ouvido também deverão aparecer e outros fabricantes de acessórios estarão presentes no Moscone West. Mas além disso, estarão presentes alguns desenvolvedores de softwares para Mac, que depois de um ano de Mac App Store, conseguiram encontrar um meio eficiente de chegar aos Macs dos usuários, assim como aqueles que criaram os mais de 500 mil aplicativos para dispositivos iOS. Alguns deles também estarão no saguão do Moscone West para um contato direto com seus usuários.
E no fundo, é isso que esperamos da Macworld | iWorld (não me acostumei ainda com o novo nome). Encontrar os velhos amigos, bater um papo agradável sobre gadgets e curtir um passeio com direito a compras alguns acessórios e softwares para nossos Macs, iPhones e iPads. E nós estaremos por lá para mostrar o que a Macworld | iWorld tem para nós.
Sérgio Miranda participa da Macworld | iWorld 2012 a convite da Mac Access Brasil / Suonare.
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Passei lá no Moscone Center mas não empolguei. Talvez amanha ou sábado. Boa sorte Sérgio, conta depois como esta a feira.