Home » Matérias » O gênio por trás da Maçã

O gênio por trás da Maçã

:: por Redação macmais :: 23/02/2012 :: Deixe um comentário

*por Rafael Fischmann (@rfischmann)

“Nós não lançamos lixo.” – Resposta de Steve Jobs a um repórter durante uma conferência da Apple para a imprensa, após ser questionado sobre o porquê de os produtos da companhia serem “tão caros”.

Jobs ficou bastante conhecido não só pelo seu dom de escolher quais os melhores produtos para colocar no mercado, mas também por ser o cara que dizia “não” a ideias ruins, incompletas ou até mesmo à frente de seu tempo. Sim, muitos não sabem, mas o iPad surgiu dentro dos laboratórios de Cupertino muito antes do iPhone, mas este foi o que se viabilizou primeiro. O primeiro iPad só foi mostrado ao mundo meses depois do lançamento do iPhone 3GS, que foi a terceira geração do smartphone da Maçã.

E esse é só um exemplo que mostra como a Apple funciona. Outro ótimo exemplo (e relativamente recente) é que ninguém sabia, até meados de 2005, que desde sempre o Mac OS X fora desenvolvido em duas versões paralelas: uma para Macs Power PC, a outra para Macs Intel. A transição de fato começou em janeiro de 2006, com o lançamento dos primeiros MacBooks Pro e iMacs dotados de processadores Intel Core Duo. O que será que já existe por lá e só descobriremos daqui a meses, anos…?

Steve Jobs não nasceu um gênio e não construiu a empresa de capital aberto mais valiosa do planeta da noite pro dia. Esse percurso foi longo e difícil, oque incluiu praticamente uma década afastado da empresa – sem nenhuma certeza, até a aquisição da NeXT, de que ele viria um dia a novamente trabalhar para a Apple. Que dirá marcar esse ressurgimento triunfal da companhia a partir do final da décadade 1990 (iMac), que dirá revolucionar o mercado da música (iPod + iTunes), que dirá reinventar os telefones celulares (iPhone) ou até mesmo criar uma nova categoria de produtos (iPad). Que dirá ter sua vida interrompida, aos 56 anos de idade, por uma doença que ainda supera o conhecimento da humanidade.

O outro Steve da Apple – o Wozniak (ou Woz, para os mais íntimos) – afirmou numa entrevista recente que Jobs lhe revelou estar “muito aborrecido”com a situação de sua saúde, poucos meses antes de vir a falecer. Isso porque, pela primeira vez em anos (a última significativa, quando ele mesmo fora demitido da empresa que criou pelo CEO que ele mesmo contratou, John Sculley), Jobs viu-se de frente com algo sobre o que ele não tinha controle. Gênios não se conformam quando algo transcende ao que está ao seu alcance, e é por isso que há uma linha tão tênue entre um “gênio” e um “louco” – já dizia o manifesto Think Different.

Acima de todas as inovações que criou ou gerenciou em todos esses anos, a conclusão mais justa e feliz sobre o legado de Jobs foi a criação da Apple como um todo – e não é à toa que ele continuou se dedicando a ela até seus últimos dias (quantos mais fariam isso?). E não falo da Apple localizada em 1Infinite Loop, a dos produtos que conhecemos hoje ou até mesmo aquela dos executivos que assumiram agora o comando, mas a Apple como um marco histórico que veio para mudar o mundo, sacudir empresasdos mais diversos segmentos e fazer todos nós pensarmos diferente. Sim, quase como uma religião.

Sem Steve, nada disso teria acontecido. Obrigado por tudo, mais uma vez.

Rafael Fischmann é editor-chefe do blog MacMagazine.

 

*Matéria publicada originalmente na macmais 66.

Deixe um comentário

 

Publicidade