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O iPhone foi revolucionário em 2007, mas e agora?

:: por Redação macmais :: 12/12/2012 :: 1 comentário

Eterna insatisfação, por Mario Amaya (@marioamaya).

Matéria originalmente publicada na macmais 77.

A situação é descrita perfeitamente no artigo escrito para a BBC em 11 de setembro por Dan Lyons – famoso entre os macmaníacos por ter feito o blog de humor Fake Steve Jobs, e mais conhecido entre as pessoas normais por ser o editor de tecnologia da revista Newsweek. Após listar vários fatos que criam uma sensação alarmante de que a Apple desistiu de inovar e de assumir riscos após o falecimento do seu fundador, ele nos põe para pensar criticamente com a seguinte sentença:

Fazendo uma analogia com carros, há seis anos o iPhone era como um sexy novo modelo topo-de-linha da BMW ou Porsche. Hoje, ele é como um Toyota Camry. Seguro, confiável, entediante. O carro que a sua mãe dirige. O carro tão popular que o seu fabricante não ousa mais alterar a fórmula. A Apple hoje é a maior empresa do mundo, maior que qualquer outra companhia na história dos EUA. Isso é ótimo para os acionistas. Mas entre os consumidores, quem liga? Em termos de produtos, a Apple tornou-se a única coisa que nunca deveria ser: sem graça. Em algum lugar lá em cima, eu consigo ouvir Steve gritando.

O jornalista não disse nada de extraordinário nem realmente novo no terreno das percepções de consumidores. É amplamente reconhecido que o iPhone 5 foi uma atualização formal do aparelho, feita para reagir à competição crescente dos smartphones Android, que em conjunto já possuem um mercado quatro vezes maior que o do iPhone.

Até aí, porém, o que vemos na evolução do predecessor carro-chefe da Apple, o Mac, segue uma rota completamente similar. No começo é a novidade revolucionária, cheia de pontos a melhorar, seguida de uma evolução firme e constante durante anos, por fim seguida de uma estagnação inquietante e sua eventual substituição como paradigma tecnológico, abrindo caminho para algum outro conceito mais avançado.

Analisemos rapidamente a história do Mac. Ele surgiu quando todos os computadores criados para uso doméstico eram movidos a comandos digitados numa tela preta. O Mac, com sua linda interface gráfica, era fabulosamente promissor. Considerado isoladamente, ele não era um “game changer” na inovação, pois se ele não surgisse, fatalmente o mercado acolheria alguma outra máquina popular com interface gráfica – já que se tratava de um desenvolvimento lógico, natural e inevitável dos computadores, que muitas empresas do ramo já estavam estudando. Para conseguir tornar o Mac um produto de massas, muitas coisas foram podadas do projeto a fim de cortar custos. Esses recursos – multitarefa, imagem colorida, disco rígido, rede, placas de expansão etc. – foram sendo acrescentados aos poucos, em modelos posteriores.

As primeiras duas ou três versões do Mac tinham uma imagem de arrojo espetacular, só que seriamente limitado por questões técnicas. Eram mais uma promessa que uma realização. Após muitas idas e vindas, acertos e fracassos, a plataforma Mac chegou viva e sadia à segunda década do novo milênio – mas já não empolga mais. Tornou-se mais como um instrumento de trabalho de precisão, do qual não mais nos tornamos conscientes enquanto ele está em uso, porque em geral as coisas nele simplesmente funcionam conforme esperado e não há omissões flagrantes no design. Nesse momento, no qual o produto atinge sua plenitude conceitual, ele passa a ser “chato” e nós começamos a procurar qualquer outra coisa mais empolgante (mas que não é o Windows).

Notavelmente, o Mac precisou de 25 anos e várias reinvenções totais para chegar a esse Nirvana tecnológico. A plataforma iOS levou muito menos tempo: cinco anos, seis gerações. Na primeira versão do iPhone, reclamávamos da falta de suporte à telefonia 3G, da inexistência de aplicativos de terceiros, da ausência de uma simplória função de Cortar e Colar, da limitação em rodar exclusivamente um aplicativo por vez, e também da falta de mensageiro MMS, GPS, aplicativo de mapas e loja de e-books. Veja o quanto já avançamos! Controle por voz, carteira eletrônica e videofone são outras funções que em breve julgaremos fundamentais em qualquer smartphone e até pensaremos como conseguimos viver tanto tempo sem elas.

Em 2010, quando surgiu o iPad, essas funções consideradas essenciais já tinham sido incorporadas ao sistema operacional do iPhone, e a maior queixa que persistia era quanto a ele não suportar Adobe Flash – omissão que acabou se provando ironicamente positiva para a Internet. Foi com o amadurecimento observado no iPad e no iPhone 4 que muita gente começou a contemplar o sistema, então rebatizado de iOS, como uma potencial plataforma substituta do PC e também do Mac, naquilo que o próprio Steve Jobs chamou de “era pós-PC”. Muitos de nós trocamos o notebook por um iPad, e para muitos outros um iPhone é tudo de se precisa nos dias de hoje para computar em movimento.

Fica, então, a pergunta incômoda: por que eu preciso de um aparelho da próxima geração, se o atual já resolve? Ou melhor: quais são as características que os próprios usuários sentem que ainda faltam? A Apple sempre se orgulhou de ser uma empresa que oferece soluções para problemas que os consumidores nem percebiam ter. A lógica de Steve Jobs era a mesma de Henry Ford em sua famosa declaração: “Se eu tivesse perguntado às pessoas o que elas queriam, teriam me pedido um cavalo mais rápido”.

No fundo, a Apple e as outras companhias que produzem “ecossistemas” de produtos eletrônicos são grandes integradores, isto é, encontram aplicações comerciais para novas tecnologias conforme vão surgindo. Alguém inventa alguma coisa nova (muitas vezes, a própria companhia) e a tarefa à mão é converter isso num produto vendável antes que os outros. A recente batalha da Apple com a Samsung demonstra que outro caminho viável na prática é copiar diretamente as criações do concorrente e deixar que os advogados se virem depois. A própria Apple também pratica essa tática, não tendo sido a primeira do mercado a integrar muitas tecnologias, como prova a lista de recursos deficiente do primeiro iPhone. Porém, estamos acostumados a vê-la como a melhor de todas as marcas na capacidade de integração, mesmo que às vezes se atrase um pouco.

Essa imagem de fazer as coisas mais certo é o que ela corre o risco de perder, caso deite-se nos bilhões de louros, por considerar seu produto suficientemente avançado. E competir baixando preços não é exatamente seu estilo de operação. Eventualmente, depois de a Apple ter feito uma revolução no mundo dos telefones celulares, é até compreensível que ela se acomode num nicho de luxo dentro de uma categoria de produtos muito mais ampla, de forma exatamente igual a que acabou fazendo com o Mac. Será que Steve teria planejado esse destino?

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1 comentário

  1. Amanda comentou 19:56 às 15 de dezembro de 2012

    AH? n complica responde sim ou n

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