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Relembre o iBook, versão portátil do iMac G3

:: por Redação macmais :: 10/08/2011 :: 2 comentários

Design imaginoso Inicialmente nas cores Tangerine (acima) e Blueberry (abaixo), o iBook também foi fabricado em Graphite (cinza-azulado), Indigo (azul) e Key Lime (amarelo limão fluorescente). O iMac G3, por sua vez, teve 13 cores diferentes. O último modelo do iBook colorido trazia porta FireWire e vídeo melhorado


Por Mario Amaya*

Quando Steve Jobs reassumiu o poder na Apple, em 1997, apresentou ao público um plano de desenvolvimento com os quatro produtos fundamentais que salvariam a empresa. Recorde-se de que naquele momento a Apple, em meio à mais séria crise, era completamente dependente da linha Macintosh.

O plano de Jobs resumia-se a uma tabela com quatro divisões. O primeiro quadrante, “computador de mesa profissional”, foi preenchido pelo Power Macintosh G3, ancestral distante do atual Mac Pro (e assunto da primeira coluna “Museu”, que tive a honra de estrear na já distante Revista MAC+ Edição 19, de dezembro de 2007). O Power Mac G3 original, de novembro de 1997, usava um gabinete bege adaptado de Power Macs anteriores; a versão azul e branca surgiu em janeiro de 1999. O segundo quadrante, “computador portátil profissional”, correspondia aos PowerBooks – antecessores dos atuais MacBooks Pro –, que a partir dali também sofreram intensas e frequentes revisões. O primeiro deles com o processador G3 saiu juntamente com o Power Mac G3 e também usava um gabinete reciclado de um modelo anterior. O PowerBook com o gabinete curvilíneo e a maçã que ficava de cabeça para baixo veio em março de 1998.

Os outros dois quadrantes continham categorias de produtos inéditas e futuras, sendo inicialmente preenchidos por sinais de interrogação. O primeiro deles, “computador de mesa para consumidor”, era o iMac, lançado em agosto de 1998. Em julho de 1999 foi finalmente revelado o último quadrante, “computador portátil para consumidor”. Era o iBook, que assim como o iMac, nasceu cheio de curvas, transparências e cores, como se não levasse a si mesmo muito a sério, diferenciando-se claramente do sisudo PowerBook.

Dotado de processador de 300 MHz, 32 MB de memória e uma tela miúda de 12 polegadas com apenas 800×600 pixels – insuficientes até em sua época–, o iBook original era grandalhão, pesado e robusto, construído em policarbonato translúcido com chassi de metal, da mesma forma que o iMac. Trazia muitas inovações: todos os conectores (USB, rede, energia etc.) nas laterais, sem tampa protetora (uma ideia fielmente seguida até hoje em todos os Macs portáteis e também em PCs); uma alça de carregar integrada à dobradiça; fecho sem trava; capacidade de entrar em hibernação quase instantaneamente ao ser fechado; entrada de energia extra na parte de baixo, para ser acoplado a uma mesa dotada do conector correspondente; e uma bateria grande com duração de até seis horas. Essas características todas indicavam um produto concebido especificamente para o mercado educacional, assim como o Newton eMate, seu precursor no design. Mas, felizmente, o iBook foi lançado para uso doméstico em larga escala. Custando US$ 1.600, ele era o único portátil Apple que muita gente poderia ter.

Ousadia A Apple da virada do século criava designs chocantes: o arredondado e futurista iMac, o iBook com seu aspecto polêmico, o Power Mac azul e branco com alças de carregar e até mesmo a simples base sem fio AirPort, que parecia vinda de outro planeta

Mas nem mesmo o visual controverso do iBook (apelidado corrosivamente pelos críticos de “Tampa de Privada da Barbie”) foi tão chocante quanto a mais incrível inovação introduzida pela Apple junto a ele: a rede sem fio.

O iBook foi o primeiro computador de série com aquilo que hoje chamamos de Wi-Fi. Redes sem fio não foram inventadas pela Apple, é claro; já existiam havia muitos anos, embora suas implementações fossem caras demais para suplantarem o velho e bom cabo azul de Ethernet. Mas pagando US$ 99 a mais, era possível instalar no iBook (e posteriormente também em PowerBooks e Macs de mesa) a placa AirPort, fabricada para a Apple pela Lucent. Juntamente com essa placa surgiu o roteador sem fio AirPort Base Station, com forma de disco voador.

Cabe aqui um parêntese sobre o design. O pessoal mais novo que acha o visual do iPhone “arrojado” precisa conhecer os produtos da era do G3 de perto e constatar como a Apple era muito mais louca no design. Apenas dois anos depois, em 2001, a empresa já ficaria muito mais careta, ao adotar designs retilíneos para seus computadores portáteis. O PowerBook G4 ganhou um gabinete que já parecia o do atual MacBook Pro, e o iBook passou a ter um formato retangular genérico em plástico branco, universalmente considerado sem graça. Apenas a geração de iMacs dessa época, o famoso modelo G4 “abajur”, ainda retinha um toque genialmente frívolo.

A partir de 2002, a frieza estética e a troca do plástico por metal e vidro dominaram os produtos da maçã, de iPads a iPods, e nada indica que isso deva mudar muito nos próximos anos.

Mario Amaya (@marioamaya) sempre quis ter um iBook na cor Key Lime.

*Matéria publicada originalmente na MAC+ 54.

2 comentários

  1. Roger C. Rocha comentou 1:13 às 9 de Julho de 2011

    Já tive um Graphite. Era lindo!

  2. Juninho De Luca comentou 14:48 às 13 de Março de 2012

    O iMac G3 foi o computador pessoal mais lindo que já existiu. Tenho um iMac Core 2 Duo, um macbook e um iPhone… mas em questão de arrojo… nada bate os belos G3… E o gabinete QuickSilver do PowerMac também… foi o mais lindo que já vi.

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