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Relembre o tempo em que para tudo se precisava de um cabo

:: por Redação macmais :: 18/10/2012 :: Deixe um comentário

Por um fio, não… muitos deles, por Mario Amaya (@marioamaya).

Hoje, vivemos quase no melhor dos mundos quando se trata de conexões de dados. A maioria dos periféricos comunica-se com os computadores sem fios, por Bluetooth e Wi-Fi. Falei “quase” apenas porque ainda estamos condenados a recarregar baterias diariamente, o que nos obriga a ter fontes e fios à mão. E equipamentos de alta velocidade, como discos rígidos, ainda dependem de um bom e velho cabo.

Mas hoje vivemos num mundo melhor, porque no século passado tudo obrigava ao uso de fios de conexão, havendo um bom número de padrões incompatíveis entre si.

Interfaces seriais e paralelas (anos 1960 em diante)

Antes da explosão da internet, o mais normal em computadores era a interface serial RS-232 em uma infinidade de conexões: mouses, impressoras, modems etc. O

RS-232 era uma herança da era pré-PC e foi criado em 1962. Hoje ainda pode ser encontrado em equipamentos industriais.
Usuários da plataforma Mac viviam bem mais distantes do hardware do PC, pois estes empregavam largamente a porta paralela IEEE 1284 com os trambolhudos conectores DB-25 e Centronics de 36 pinos, enquanto os Macs ligavam-se às suas impressoras e redes por meio de portas seriais com conectores DE-9. Interoperabilidade de periféricos entre Macs e PCs nem sequer estava nos nossos sonhos, e tudo que fosse “para Mac” era muito mais caro.
Outra diferença importante: no mundo PC, teclados e mouses usavam majoritariamente a conexão PS/2 com o plugue redondo Mini-DIN, enquanto o Mac utilizava o cabo ADB – superficialmente similar, por também empregar o Mini-DIN, porém incompatível. Só para confundir mais um pouco, a porta serial do Mac também usava conectores Mini-DIN, com um número de pinos diferente, enquanto as seriais de PC preferiam conectores DB achatados.

Ethernet (1980)

O padrão de transmissão de dados em rede mais popular do mundo emergiu nos anos 1970 como parte dos projetos do laboratório de pesquisas Xerox PARC, quando surgiram as ideias que definiram o computador Macintosh e os PCs em geral. Atingiu sucesso graças ao trabalho da 3Com, companhia fundada por Bob Metcalfe. Disponível em velocidades de transmissão de 1 Mbit/s a 100 Gbit/s, a Ethernet já empregou muitos tipos de cabos e conexões ao longo de sua história. A primeira implementação usava cabos coaxiais iguais aos de televisão, porém a mais popular usa pares trançados de fios do mesmo tipo usado em telefonia, havendo também versões mais rápidas baseadas em fibra óptica. As taxas de transmissão por cabos de Ethernet superam largamente as de conexões de dados via rádio (Wi-Fi) usadas com o mesmo propósito em aplicações domésticas.

ADB (1986)

Diz a lenda que alguém na Apple sugeriu a Steve Wozniak que criasse um padrão simples para conectar teclados e mouses aos computadores da Apple, e então Woz desenvolveu o ADB. De quebra, o ADB permitia conectar o teclado e o mouse um ao outro. O primeiro computador com ADB não foi um Mac, mas um Apple II – mais precisamente o IIgs, de 1986 – seguido pelo Macintosh SE (os mouses usados nos primeiros Macs tinham um cabo similar aos de telefones). O ADB durou até 1999, quando foi substituído pelo USB.

SCSI (1986)

O método principal nas duas décadas passadas para conectar discos rígidos externos e scanners era o SCSI. Com nentes grandes e rústicos, encarecia os produtos e obrigava o usuário a fazer configurações burocráticas (e sempre com o computador desligado!). No entanto, seu sistema de comunicação baseado em cabos paralelos era rápido o bastante para usar em um Mac os discos externos como se eles fizessem parte do computador, além de suportar também as unidades externas SyQuest, magneto-ópticas, Zip e Jaz – itens essenciais em todo estúdio de design digital entre 1988 e 1998. Com a ascensão da interface paralela IDE/ATA (e mais recentemente a SATA), e com o USB atendendo a praticamente todas as necessidades, o SCSI tornou-se uma interface especializada e desapareceu como item de série em computadores. Existe hoje um padrão SCSI de altíssima velocidade (nas variantes Ultra-320 e Ultra-640), mas suas velocidades são equiparadas pela SATA e ultrapassadas pelo Thunderbolt.

USB (1998)

O primeiro vislumbre de ordem geral a emergir no caos de conectores e padrões de conexão aconteceu com o USB, criado por um consórcio de empresas liderado pela Intel e comercializado a partir de 1998, com sua notória apresentação pela Apple no primeiro iMac. Existem hoje uns 10 bilhões de aparelhos eletrônicos dotados de portas USB. A versão 3.0 “Superspeed”, lançada em 2008, tem tido uma adoção lenta, em parte graças ao fato de a 2.0 ser ainda perfeitamente adequada para a maioria de nossas necessidades diárias.

FireWire (1999)

A interface serial que sua criadora Apple apresentou com a marca FireWire foi homologada com o nome IEEE 1394, e ainda é assim que o mundo PC a denomina. Seu desenvolvimento começou em 1986, muito antes do USB, mas chegou ao mercado logo depois, sendo adotado em massa nas camcorders DV. Mais sofisticado que o USB, o FireWire permite a interconexão de até 63 dispositivos, sendo ideal para equipamentos que não toleram atrasos e engasgos na transmissão. A versão utilizada profissionalmente tem velocidade de 800 Mbit/s, havendo especificações prontas e ainda não implementadas para 1600 e 3200 Mbit/s.

HDMI (2003)

Idealizado para transmitir áudio e vídeo digital descomprimido num cabo só, o HDMI veio substituir com vantagens o cabo de vídeo digital DVI e seu ancestral analógico, o VGA. Embora seja encontrado facilmente em computadores e fundamental em consoles de games e tocadores de Blu-ray, é menos versátil que o Thunderbolt e não se presta à comunicação em mão dupla entre aparelhos. O HDMI tem compatibilidade limitada com o DisplayPort, que serviu de base para o Thunderbolt.

Thunderbolt (2011)

Assim como o USB, o Thunderbolt é um padrão criado “fora de casa” que a Apple endossou e adotou. Criado pela Intel, estreou comercialmente no MacBook Pro em fevereiro de 2011. O minúsculo conector é o mesmo do Mini DisplayPort, e são compatíveis entre si. O Thunderbolt é uma fusão inteligente do Mini DisplayPort com a interface PCI Express num padrão serial de altíssimo desempenho. Originalmente foi chamado de Light Peak, porque o plano original era que o cabo fosse óptico; acabou sendo do tipo normal de cobre para tirar proveito do custo menor e de permitir alimentar eletricamente os dispositivos conectados, como o USB. O Thunderbolt tem o dobro da velocidade da revisão mais veloz da SATA, o triplo da USB 3.0 e mais de 10 vezes a da FireWire 800, sendo verdadeiramente adequado a todo tipo de função que ainda exija fios.

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