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PowerBook salvando o dia, mais uma vez

:: por Redação macmais :: 06/09/2011 :: Comentários desativados

Por Mario Amaya*

Na condição de freelance, tenho o luxo de poder trabalhar em casa durante boa parte do tempo. E, como também deve ser o seu caso, a internet tem papel fundamental em meu trabalho. Mas acabei passando alguns dias preso a um lugar sem conexão. Normalmente eu levaria meu PowerBook G3 Pismo com Mac OS X Tiger e continuaria o trabalho offline com estilo. Só que o vetusto laptop morreu! Hora de tirar algum outro da prateleira do museu. A vítima escolhida foi um bem conservado PowerBook 1400c, fabricado em 1996. É movido pelo processador PowerPC 603e a 133 MHz, com memória de 24 MB (quase razoável em sua época – RAM era sempre cara e insuficiente) e HD ATA de 1 GB (um sério upgrade feito em 1998 pelo primeiro dono).

Tijoludo e com visual citando as formas do Newton MessagePad da época, o PowerBook tem o tato sólido e firme e não esquenta. O teclado é um espetáculo: macio e com curso generoso nas teclas. Outro ponto em que a Apple caprichou foi o display LCD de matriz ativa de 12″ e 800×600 pixels, com uma imagem surpreendentemente boa pelos padrões de hoje. O som é mais potente que o de muitos notebooks atuais, embora a máquina quase não tenha poder de fogo para tocar MP3. Como pontos negativos estão a falta de USB (que só viria dali a dois anos), Ethernet on board e leitor de CD – dois itens presentes apenas no modelo topo de linha, o 5300c. Na traseira do 1400c só há interface serial, infravermelha e SCSI.

Assim, a única conexão prática do PowerBook com o mundo moderno é pelo bizarro conector quadrado SCSI. O que colocar ali? Um Zip Drive, naturalmente. Um Zip SCSI pode ser espetado ao PowerBook; outro com USB fica conectado ao meu Mac Intel. Precário? Nem tanto, ao levar em conta que os programas para esse Mac cabem dentro de um cartucho de 93 MB.

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A tampa transparente do PowerBook 1400c permitia encaixar por dentro uma folha impressa personalizada com uma ilustração. Aparentemente, o público não ligou muito para essa ideia genial.

Mas chega de falar de hardware. Quais softwares compensam usar em um computador de 14 anos de idade? O sistema é o Mac OS 8.1, uma boa escolha ao levar em conta a pouca RAM. Na pasta Startup Items incluí, além do Stickies (cuja versão no OS X funciona igual), os painéis de controle General Controls e Date & Time, pois tanto a bateria como a pilha interna (PRAM) estão esgotadas e é preciso informar data e hora ao religar a máquina.

Usuários de Mac das antigas gastavam um tempo enorme capinando extensões e painéis de controle desnecessários, pois eles adoravam dar conflito. Com as minhas traquitanas preferidas, que não são muitas, o sistema inteiro bate em 7,1 MB! Desliguei tudo que fosse relacionado a internet, compartilhamento de rede e impressoras, já que o Mac fica sempre offline. Ajustei a memória virtual manualmente para 56 MB, o que permite abrir até o Photoshop 5.0 (é a versão mais antiga que ainda serve para alguma coisa).

Outra modificação importante foi acrescentar à Control Strip um módulo freeware chamado HandyMan, criado por um belga em 1995. Ele produz uma espécie de Dock para seus programas dentro da Control Strip. Muito melhor que o grandalhão e bobo Launcher da Apple. E mais decente que salpicar o Desktop de ícones de programas, coisa que a maioria dos usuários de Mac veteranos fazia (e alguns ainda fazem).

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Telas do Photoshop 5.0 e Word 5.1 rodando no Mac OS 8.1.

Outro freeware fundamental é o layout de teclado US International, de Rainer Brockerhoff, que dá acesso conveniente aos acentos para digitar em português em um teclado Apple de padrão norte-americano, como o do PB 1400c. E o MacDim, um screensaver rudimentar mas eficiente.

Para escrever, mantive três opções: o Stickies para notas simples, o Microsoft Word para textos longos e o BBEdit Lite para edição avançada. O mais confortável é o Word 5.1, que foi lançado em outubro de 1992 (quando alguns leitores desta revista ainda nem tinham nascido!). Você pode estranhar, mas o Word 5.1 foi um dos aplicativos para Mac mais adorados de todos os tempos. A Microsoft de hoje faria bem em estudá-lo. É descomplicado, confiável e traz as funções que a gente normal precisa, no lugar certo.

E salva em RTF, compatível com o OS X e o Windows atuais. Infelizmente, a recíproca nem sempre é verdadeira. Textos salvos no OS X em UTF abrem com os caracteres acentuados e quebras de parágrafo trocados por códigos, obrigando a um Find & Replace. É aí que entra o BBEdit, pois nele é possível programar as conversões com um script.

Para descontrair, nada melhor do que uma partida de Maelstrom, Peg Leg, Same Game, qualquer versão de Tetris ou Marathon. Todos esses jogos “vintage” rodam decentemente no 1400c.

Com tudo isso, meu Mac antigo virou uma bela máquina de escrever, com aquele nostálgico visual pré-Jobs, zero por cento de tecnologia Intel, uma tela surpreendente e o delicioso teclado que nada deve aos melhores desktops atuais. A barreira da transferência de arquivos seria mais fácil de transpor num iBook colorido ou PowerBook preto, pois eles incluem Ethernet, Wi-Fi, PCMCIA e USB. Mas eles já ultrapassam muito uma velha Remington, certo?

Mario Amaya escreveu este artigo no PowerBook 1400c e não admite que precise de um PC dual core com 2 GB de memória para rodar Word.

*Matéria originalmente publicada na MAC+ 39

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