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Será que depois de tantos erros, agora vai, Apple?

:: por Redação macmais :: 06/03/2013 :: 2 comentários

Matéria publicada originalmente na macmais 79.

“São os serviços, estúpido”“por Alexandre Torres (@AlexandreTorres)

“São os serviços, estúpido”

Parafraseando a famosa frase de James Carville, o homem que elegeu Bill Clinton, hoje são os serviços que distinguem as plataformas. Design e usabilidade, historicamente superiores na Apple, eram os maiores fatores de diferenciação em relação à concorrência. Mas nos últimos meses, a Apple teve sua reputação afetada pelas constantes falhas na nuvem. Um dia é o email do iCloud, no outro é o iMessage, sincronização do iCloud, App Store ou, o pior, como ocorrido recentemente, tudo ao mesmo tempo.

Problemas advindos do seu próprio sucesso – o aumento da base de usuários e a rápida migração para os novos serviços – têm causado “arranhões” na reputação da Apple, como nos casos já clássicos do MobileMe e do iTunes Match.

As falhas que citei foram resolvidas e os serviços passaram a funcionar como deveriam, mas isso teve uma consequência: a Apple pegou fama de não mais acertar de primeira com a nuvem.

O caso dos Mapas no iOS 6 é especial e já sabemos que custou a cabeça de Scott Forstall e de Richard Williamson. Na apresentação do iOS 6, os mapas foram vendidos como “mágicos” e, ao chegar aos aparelhos dos usuários em setembro, ficou claro que só com muita mágica ou trabalho duro na base de dados para que o novo serviço se equiparasse ao até então oferecido pelo Google.

Talvez a Apple devesse ter comprado a Navteq, empresa de mapas adquirida pela Nokia há alguns anos por US$ 9 bi. O valor de mercado perdido e a percepção dos usuários, de que a empresa falhou, provavelmente foram prejuízos bem maiores do que seria o custo da Navteq, de valor hoje muito menor do que o então pago pela Nokia.

Apesar do Android não ter o refinamento e a estabilidade do iOS, ele já possui vários recursos ausentes no lado de cá, além da grande base de usuários e a maioria dos apps mais importantes. Mas o maior problema é a Google ter feito o dever de casa, e seus serviços possuírem estabilidade e escalabilidade – é bem raro ver os serviços oferecidos pela turma de Mountain View pararem. Para piorar, estão refinando o design e a usabilidade do Android mais rapidamente do que a Apple tem melhorado a confiabilidade dos seus próprios serviços.

Outro fator é que a Google consegue vender um serviço incompleto e instável como beta (um exemplo é o Gmail que, por anos a fio, teve o beta associado ao seu logotipo). Os usuários passaram a ter boa vontade com as falhas e eventuais problemas do serviço — o famoso “ah, mas é beta!”.

As falhas das quais a Google escapa ilesa, como o caso do sumiço do mês de dezembro no calendário do Android 4.2 – não são toleradas nos produtos da Apple: imagine o “Calendargate” do iOS, correndo por toda a imprensa especializada. A Apple sempre teve a fama de liberar seus produtos quando realmente prontos, o que claramente não aconteceu com MobileMe, SIRI, iTunes Match, Mapas e Game Center. Por isso, a imagem da empresa perante seus usuários sofreu abalos, não há como negar, e a percepção de uma companhia em que os serviços realmente funcionam foi se esvanecendo.

Com a reorganização feita após a saída de Forstall, Tim Cook colocou todos os serviços ligados à nuvem sob a responsabilidade de Eddy Cue – para quem não o conhece, um adjetivo basta, ele é o “consertador” da Apple. Cue foi o responsável por acertar o MobileMe e, desde então, tem socorrido todos os serviços problemáticos da empresa. Agora, com o comando unificado de todos os serviços em suas hábeis mãos, a faxina fica mais fácil.

A cada dia fica mais clara a importância na confiabilidade dos serviços, foi-se a época em que os iDevices eram estanques e não é mais só a beleza e a facilidade de uso que vendem os produtos. Tim Cook parece ter percebido a importância da confiabilidade dos serviços para o futuro da maçã e apostou no cara certo.

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2 comentários

  1. Pierre Louis A Ferrandis comentou 23:54 às 16 de maio de 2013

    Sou assinate da revista (cod de ass 6336194) faz dois meses que não a recebo em casa. O que está acontecendo? Não acho um e-maisl de contato neste site, nem da Digerati! vocês são incomunicáveis? como faço para escrever, sugerir matérias etc?

    • Elder comentou 10:53 às 29 de outubro de 2014

      Alguém esta vendo isso? Sem resposta desde abril.
      Este site faliu, e isso?

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