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Twentieth Anniversary Mac, o avô do iMac

:: por Redação macmais :: 03/08/2012 :: Deixe um comentário

por Mario Amaya (@marioamaya), publicado originalmente na seção Museu da macmais 73.

Aniversário atrasado, mas à frente do seu tempo

Durante 20 anos, os engenheiros de design da Apple têm construído pontes entre aquilo que as pessoas sonham e a tecnologia capaz de tornar esses sonhos realidade. É a nossa obsessão magnífica. É trabalhar e brincar e ouvir e aprender e criar e comunicar – às vezes tudo ao mesmo tempo. É o deleite de fazer coisas mais velozes, melhores e mais fáceis. É dar as costas à sabedoria convencional e encontrar caminhos novos. É a alegria de pegar, manusear e utilizar coisas muito bem feitas. É celebrar os últimos 20 anos e prenunciar os próximos vinte. É a coisa mais maravilhosa que já construímos. É o Macintosh Vigésimo Aniversário.

Esse é o texto do luxuoso comercial de apresentação do Twentieth Anniversary Mac (nome abreviado para TAM por seus raros proprietários). A publicidade tem a cara de Steve Jobs; só que no dia de seu lançamento, 20 de março de 1997, o CEO da empresa era Gil Amelio e Jobs era oficialmente apenas um consultor. O projeto do TAM precedia o retorno de Jobs à companhia e fora concebido como uma tentativa de resgatar o orgulho criativo perdido da Apple, após uma década incerta em que a empresa vira seu prestígio declinar juntamente com a qualidade dos produtos.

O TAM era mesmo criativo, ainda que construído sobre bases pouco sólidas. Projetado com um prazo muito curto e utilizando componentes comuns, suas verdadeiras características distintivas resumiam-se aos materiais e à aparência. O formato do TAM é amplamente reconhecido como a primeira versão bem-sucedida de um computador de mesa com tela plana integrada à CPU num gabinete fino com pedestal ajustável, precedendo em nada menos que sete anos o iMac com o mesmo layout básico – o iMac G5, de agosto de 2004 – cujos descendentes atuais mantêm o mesmo formato. A finura aparente do gabinete foi obtida à base de curvas esculturais cuidadosamente desenhadas para criar uma ilusão de óptica – algo que voltamos a ver no MacBook Air.

A fonte de alimentação foi colocada junto com um subwoofer Bose dentro de um subgabinete cônico, que podia ficar no chão e era ligado ao Mac por um cabo espesso; essa solução foi empregada novamente no G4 Cube e no Mac mini. O interior da máquina era razoavelmente comum, contendo uma placa-mãe idêntica à do Power Mac 5500 (processador PPC 603e rodando a 250 MHz), placa receptora de rádio e TV, leitor de disquete e um leitor de CD instalado de pé no painel frontal, com porta basculante. O drive óptico e os falantes laterais ajudavam a disfarçar a considerável diferença de área entre o painel do gabinete e o modesto LCD, do mesmo tipo usado em PowerBooks. O pedestal podia ser dobrado para trás para virar uma alça – tema de design que se repetiria no iMac G3 e nos iBooks coloridos.

O TAM era um fruto do projeto Pomona, criado internamente pela Apple em 1996 para investigar o formato dos computadores do futuro e estimular a inspiração dos designers da companhia. Seu codinome era Spartacus. O nome oficial referia-se ao aniversário de fundação da Apple, mas o produto chegou ao mercado com quase um ano de atraso: o real vigésimo aniversário da Apple foi em 1° de abril de 1996. O design que originou o TAM competiu com vários outros, todos bem diferentes, porém com pontos em comum: uma tela LCD em um pedestal.

Num vídeo da época, Jonathan Ive – recém-empossado por Jobs como diretor sênior do Apple Industrial Design Group, aos 30 anos de idade – exalta o uso de materiais inéditos em computadores: pintura metálica, alto-falantes com cobertura de tecido, descanso para as mãos revestido de couro italiano e pedestal em metal forjado.

Claramente o ambiente imaginado para esse tipo de produto era o escritório de um executivo. O design harmonioso foi obtido à custa de um projeto de engenharia alucinantemente complexo, bem diferente do que temos nos produtos atuais da empresa. Algumas coisas nunca foram vistas antes nem depois em produtos da Apple, como o teclado com trackpad destacável; quando usados em conjunto, o cabo do trackpad ia encaixado num caprichoso sulco em ziguezague oculto por baixo do periférico.

Se o TAM pretendia ser um retrato exato daquilo que a Apple queria que o público nela reconhecesse – brilhantismo, gênio, ousadia, elegância – a máquina exalava na mesma medida a arrogância e o pensamento estreito característicos da empresa naquele tempo, que ainda veríamos repetir-se sob o comando de Jobs, com o G4 Cube. Tanto o TAM quanto o Cube eram máquinas feitas primariamente para elevar o ego de seus criadores, sem mercado real para elas. O preço tinha muito a ver com isso. O valor oficial de lançamento do TAM era de US$ 7.500, tendo sido lançado a US$ 10 mil. Diz a lenda que as primeiras unidades foram entregues em domicílio por um concierge numa limusine.

Com a rejeição inicial do público, o preço caiu para US$ 3.500. Exatamente um ano depois – ao mesmo tempo que surgia o iMac, o primeiro produto real da parceria de Jobs e Ive – o TAM foi liquidado rapidamente ao preço de US$ 2 mil, abaixo do custo de fabricação. Apenas 12 mil unidades foram produzidas no total. A maior chance que você tem de ver um deles atualmente é assistindo a certos episódios de Seinfeld ou o filme Batman & Robin, onde o mordomo Alfred usa um para gravar um CD – funcionalidade que o TAM na verdade não possuía. Um protótipo do TAM, doado pelo então CEO Gil Amelio, faz parte do acervo do Computer History Museum (www.computerhistory.org).

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