O iPad é um leitor de livros eletrônicos melhor que o Kindle?
É claro que isso vai depender muito do gosto pessoal e das expectativas de cada um, mas é possível fazer algumas comparações mesmo antes de colocar as mãos no novo gadget lançado por Steve Jobs.
A primeiro fator que salta aos olhos é a beleza. O departamento de desenho industrial da Apple deixa o gabinete de plástico branco do Kindle no chinelo. O que mais contribui para isso é a tela LED de alta resolução e sensível ao toque. A tela branca e preta do aparelho da Amazon, porém, é teoricamente mais agradável para leitura, baseada na tecnologia E-Ink (que não emite luz).
Mas as vantagens do E-Ink param por aí! A tela touchscreen do iPad com multitoque dá muito mais flexibilidade ao dispositivo e permite tirar vantagem de outro recurso que o Kindle não tem: a comunidade de desenvolvimento de aplicativos de terceiros, além dos da própria Apple, é claro. Quem não gostaria de ter a possibilidade de checar o Twitter, o email pessoal ou mesmo a Wikipedia durante uma leitura tranquila no sofá?
Falando em aplicativos, o processador desenvolvido internamente pela Apple especialmente para o iPad (e, talvez, para futuros iPhones e iPods touch) é muito superior ao do Kindle. Na verdade, é superior a qualquer outro processador para dispositivos móveis fabricado no mercado, abrindo as portas para jogos mais sofisticados e aplicações mais complexas, como o próprio iWork, demonstrado durante o evento. Além disso, roda todos os apps já desenvolvidos para o iPhone OS sem problemas – e são quase 150 mil.
Sobre as lojas online, ainda é cedo para falar já que a iBook Store da Apple só será lançada junto com o iPad e ainda não tem preços definidos. Mas o mínimo que podemos afirmar é que a oferta de opções no iPad será igual ou maior que a do Kindle, já que o aplicativo da Amazon pro iPhone OS já existe, além de outras dezenas de lojas menores independentes.
Há dois quesitos controversos em que o Kindle leva a melhor. O primeiro é a duração da bateria, já que sem uma tela colorida e multitoque para sustentar, o aparelho da Amazon se mantém vivo por uma semana, bem mais do que as 10 horas prometidas por Steve Jobs. Por outro lado, para quem já se acostumou a ligar seu iPhone ou iPod via USB no computador para recarregar a bateria e sincronizar dados, 10 horas de vida útil são mais do que suficientes! É muito provável que você não fique 10 horas por dia nem na frente do computador pessoal ou do trabalho.
A segunda questão em que o leitor da Amazon leva a melhor é o preço. Na sua versão mais barata, o Kindle custa apenas US$ 250. Na mais cara, porém, com tela de tamanho parecido com a do iPad, o preço sobe para US$ 490, que comparados aos US$ 500 do leitor da Apple e todas as funções e possibilidades que traz, faz o preço do Kindle parecer muito caro pelo que oferece. Claro que a versão mais cara do iPad, com 3G, sai por US$ 830, mas é preciso reconhecer que a função de leitor de livros eletrônicos é apenas mais uma entre tantas do iPad.


Dois detalhes do Kindle que o ipad parece não ter. Acesso a um dicionário durante a leitura de livro. E a possibilidades de marcar notas.