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StoryTouch é uma nova forma de criar e analisar roteiros

:: por Redação macmais :: 05/09/2011 :: Deixe um comentário

Veja graficamente como a sua história está se desenvolvendo

Teste seu roteiro Veja graficamente como a sua história está se desenvolvendo

por Heinar Maracy (@heinar)*

ATO I – CENA I – INT REDAÇÃO – DIA

HEINAR, colaborador da revista MAC+, descobre que um grupo de brasileiros estava para lançar um programa de roteiro.

HEINAR

(estupefato)

Mais um? Pra quê? Já temos no mercado várias opções. Se você quer se sentir em pé de igualdade com nove entre 10 estrelas (roteirista também é estrela!) de Hollywood e não se importa em gastar US$ 250, há o FinalDraft. Para os que acham que isso é muita grana, tem o Celtx (gratuito), que ainda traz excelentes ferramentas colaborativas com o Celtx Studio (pago). Ambos oferecem facilidades para formatar um roteiro no padrão da indústria, mas não fazem muito mais do que um bom processador de texto com a template certa permitiria fazer. Não é porque usa um deles que você vai escrever melhor. Agora, o que esses brasileiros malucos teriam a oferecer de diferente?

Nosso redator, então, descobre que os malucos, no caso, são diretores e roteiristas da O2 Filmes, respeitável produtora responsável por filmes como Cidade de Deus, VIPs e inúmeras séries premiadas de TV. Fica sabendo que o StoryTouch é o resultado de uma demanda interna por uma ferramenta de análise de roteiro que permitisse o acompanhamento de projetos em estágios diferentes, do conceito inicial à versão final. Idealizado pelo diretor Paulo Morelli, ele já vinha sendo utilizado pela produtora há três anos e agora está sendo lançado em versão comercial.

HEINAR

Ah, bom, então tá.

Sabendo desse pedigree, ele baixa o programa e começa a assistir os tutoriais no site para entendê-lo. Acha os vídeos excelentes e passa a manhã inteira assistindo todas as minientrevistas com roteiristas renomados falando sobre seu métier. Na hora do almoço, encontra o editor, MIRANDA.

HEINAR

Devo dizer que a primeira impressão não foi das melhores. Para começar, o programa foi desenvolvido em Java, o que pode causar arrepios nos macmaníacos mais xiitas. Sabe como é, Miranda, programa em Java é sinônimo de interface fora do padrão Apple, e o StoryTouch não foge à regra. Ele tem uma barra de botões extravagante em cima, um monte de abinhas e – ARGH – janelas modais! Não tem a menor cara de programa de Mac.

Passado o susto de ver uma interface alienígena invadindo seu MacBook Pro, ele começa a analisar o programa. Do lado esquerdo, nada de novo. O tradicional processador de roteiros, com autocomplete e formatação automática para você focar na criação de sua história. Do lado direito do programa, a brincadeira começa. Ao escrever ou importar um roteiro, o StoryTouch já cria uma lista de atos, cenas e personagens em uma janela central. Ali você pode atribuir características a seus personagens, definir unidades dramáticas (várias cenas reunidas sob um mesmo tema) e começar a visualizar seu roteiro de formas diferentes, estabelecendo comparações e correlações entre vários de seus elementos. O programa trabalha com conceitos dramáticos bem específicos, mas de maneira aberta. Você pode estabelecer valores e emoções para seus personagens, definir trajetórias dentro da sua história, visualizar o ritmo e o tom de cada cena.

HEINAR

(falando pausada e didaticamente)

Em nenhum momento o programa tenta conduzir “sydfieldianamente” sua história. Você tem de montar as ferramentas de análise de acordo com a sua concepção do que é um bom roteiro. Acredita nos Três Atos? Então ponha três atos. Prefere sete? Sem problemas. Nenhum ato? OK.

ATO II – CENA I – INT CASA DO RESENHADOR – NOITE

Para brincar um pouco, HEINAR importa um velho roteiro de um piloto de série de TV que escrevera há uns cinco anos. Por coincidência, a ideia foi de um amigo que trabalhava na O2, que nunca fez o pitch, nem falou mais com ele. Relendo, chega à conclusão de que ele não apresentou o roteiro para a chefia porque, apesar de um argumento bacana (uma mistura de Arquivo X com programa do Datena que revistava as mais famosas lendas urbanas brasileiras), o roteiro final ficou um lixo. Joga a história no StoryTouch e vai brincando com as possibilidades do programa e se entusiasmando. Pela primeira vez, ele obtém simultaneamente uma visão de satélite e de formiga do seu texto. Batendo o olho em um gráfico, consegue ver que cenas não muito importantes ocupavam tempo demais. Outro mostra que alguns conflitos entre personagens estavam muito mal apresentados. Ideias e soluções surgem só de olhar para as barrinhas coloridas emparelhadas.

HEINAR

Hummm… até que essa interface não é tão esquisita assim. Dá para arrastar elementos da estrutura direto para o roteiro e eles aparecem imediatamente no gráfico ao lado. Cool…

Quando chega à parte de análise do roteiro, nosso resenhador tem uma epifania.

HEINAR

Aqui, o StoryTouch mostra a que veio. É muito fácil “doutorar” um roteiro com ele. Você vai criando anotações para cada ponto do roteiro, atribuindo valores negativos ou positivos, pode selecionar comentários de uma lista ou criar um novo, gerar relatórios com seus comentários ou juntando os de vários analistas. E os comentários de todos podem ser vistos em forma de gráfico, o que facilita muito identificar quais os pontos fracos e fortes de um roteiro. Agora ficou óbvio por que uma produtora como a O2 criou um programa desses.

ATO III – CENA I – EXT – TOPO DE UMA MONTANHA – DIA

O sol nasce no horizonte, enquanto nosso resenhador reflete em voz alta.

HEINAR

O StoryTouch pode intimidar no começo, com seu jeitão estruturalista e free form. É muito fácil se perder, montando relações e atribuindo notinhas para tudo e esquecer de que o importante é escrever. Mas ele também pode ser valioso para aqueles momentos em que o roteirista precisa de uma estratégia oblíqua, uma visão diferente. Para o trabalho em equipe, é uma ferramenta inestimável. Toda produtora que quiser ser O2 quando crescer deveria usá-lo. Gostaria muito de tê-lo aqui no alto dessa montanha, mas meu MacBook Pro não coube na mochila. Não vejo a hora de sair a versão para iPad, o StoryTouch Touch.

FADE OUT

Sobem os créditos.

StoryTouch
Prós
Excelente ferramenta para análise e desenvolvimento de roteiros; ótimos tutoriais em vídeo.
Contras
Interface fora do padrão do Mac OS; complexidade assusta.
Preço
Grátis (básico), R$ 150 (analista), R$ 300 (Escritor), Top (R$ 450)
Web
www.storytouch.com

*Resenha publicada originalmente na MAC+ 63.

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